quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Proposições de ano novo

Hoje meu pai disse que tinha comprado uma T.V. para colocar no quarto da Roberta como presente de aniversário de 6 anos, pois ela tinha pedido para ele.
Eu o fiz cancelar, fiquei constrangida, afinal era o presente dele. Contudo, acho que e muito cedo para ela ter uma televisão no quarto e que esse tipo de coisa segrega a família e restringe a convivência familiar, principalente entre as irmãs.
Então acabei fazendo uma reflexão sobre como temos tratado as crianças, e os valores que estamos plantando nessa geração de meninos mimados de pais ausentes, a começar por mim.
É uma pena a gente precisar pensar tanto em como presentear as crianças, pois elas realmente têm tudo e não conseguem dar valor e nem usar aquilo que ganham.
Infelizmente o Natal para elas só tem o significado vazio de muitas caixas cheias sob a árvore enfeitada, e mal ou bem a culpa é nossa, pois antes mesmo de desejarem algo a gente cumpre.
Quando nossos pais eram garotos precisavam esperar por muito tempo por um presente e quando recebiam era a grande realização, então cuidavam daquilo como a vida e brincavam continuamente por mais de um ano.
Na nossa geração isso já não existe mais, e na das nossas filhas muito menos.
O que importa é o imediatismo e o consumismo. Quero agora e quanto mais melhor.
Em casa temos um nintendo DS para cada filha, um Nintendo Wii, Guitar Hero, gavetas lotadas de DVS, caixas e mais caixas de jogos, bonecas... Elas não dão conta de tudo isso, e nós damos para compensar a nossa ausência e porque achamos que a nossa função de pais é suprir todas as necessidades e desejos dos filhos.
Difícil mesmo é resgatar os valores reais do Natal, da família e dos momentos.
Neste último dia das crianças eu não comprei nenhum brinquedo para elas pois não tinha a menor idéia do que dar e nem tempo para comprar, então propus que o nosso presente fosse um momento juntas, um cinema e um almoço numa lanchonete gostosa com hamburguer, fritas e milk-shake. Elas toparam na hora.
E nos dias de hoje este momento realmente é um presente, porque raramente temos tempo para um programa simples em família.
Ou estamos trabalhando, ou queremos usar pouco tempo livre que nos resta para nós mesmos. Então vou fazer a minha ginástica ou saio para jantar só com o meu marido.
Ok, às vezes levamos as crianças também.
Ultimamente tenho me sentido demasiadamente egoísta por causa disso e tenho percebido que o tempo está passando rápido demais.
A reunião da escola da Roberta foi que me dei conta do quanto deixei de acompanhar as suas atividades escolares, suas histórias sobre os coleguinhas e professores, quantos banhos deixei de dar, quantas vezes eu não estava quando ela almoçava e jantava e eu poderia ter ensinado que verdura é uma delícia.
Ela cresceu, já vai fazer 6 anos, terminou a pré escola e no ano que vem começa o ensino fundamental.
E a Isabella vai fazer 11 anos! Fiquei chocada!!!
Ok. Não vamos exagerar, elas são bem pequenas ainda e tenho muito tempo para vê-las crescer, mas o tempo que passou não volta mais... E a Rô nunca mais terá 4 e a Isa 8.
as quando me proponho a mudar, estar mais presente, almoçar com elas, dar o banho, levar para a escola, brincar, perco a paciência em tão pouco tempo que não realizo nada, e o sentimento de culpa vem com mais força e me consome. Então dou aquela bronca, grito, me descontrolo e se forma um nó bem no meio do meu peito, uma angústia que só se desfaz quando minutos depois elas se voltam para mim com sem qualquer ressentimento e me beijam com aquele carinho puro e despretensioso que só as crianças possuem e dizem que me amam.
Eu gostaria de mudar, de estar mais perto, de chegar em casa com disposição física e mental para jogar um joguinho, de fazer uma roda de leitura, curtir uma noite sem televisão e contar uma história, de levá-las o cinema, ao teatro ou ao museu pelo menos uma vez por mês, de fazer natação junto com elas assiduamente, de levá-las a escola, andar á pé ou de bicicleta no condomínio e visitar os avós em Ilhabela com mais frequencia.
Sei que não vou conseguir tudo de uma vez, mas essas são as minhas proposições de ano novo e acho que se der cero vamos criar duas meninas regadas de amor, auto-estima, independência, cultura, alegria e cultivar os verdadeiros valores de família.

3 comentários:

  1. Vani,
    Adorei esse texto pois reflete exatamente o que eu penso sobre filhos no mundo de hoje e a forma como são criados. Concordo que os pais suprem seus filhos pela culpa de estarem ausentes. Minha sogra diz que nasce o filho,nasce a culpa. Não tenho filhos, não sei ainda se vou ter. Sei que após um dia massacrante não sei se minha vontade ao chegar em casa será jogar Nintendo ou assistir o DVD Tomas e seus amigos pela oitava vez na semana. Mas todas as mães do mundo que eu conheço dizem que ter filhos dá trabalho, mas é recompensador. Esse é o mistério da vida: o amor incondicional, que só sente quem se arrisca a viver.

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  2. É Vani, infelizmente não podemos ter e nem fazer tudo...somos uma só e temos que escolher dentro de nossas prioridades o que é mais importante no momento. Uma dica é deixar um dia pra cada coisa, sem esquecer de você, que é a pessoa mais importante nesta família linda.

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  3. Devo confessar.... tenho medo, muito medo... aquele texto sobre a coragem reflete tudo o que penso... apesar de ter aprendido a perder o medo a certas coisas o que mais temo nesta vida é falhar com meus filhos... (também tenho medo de altura, mas isso foi minha culpa por ter pulado de elástico, mas é outra história!)...
    comparto esse medo com o Antonio por isso acabei fazendo coisas que um dia disse que jamais faria, como matricular meus filhos num colégio onde o ensino é separado entre meninos e meninas... desde minha experiência no Chile fiquei traumatizada e conversei sobre esse tema com a diretora do colégio do Antonio. e sem querer numa revista também lí uma pesquisa feita sobre o tema da educaçao separada... entendi o porquê....e finalmento o que vi de ruim do lugar que escolhemos para nossos filhos passou a nao ser tao ruim...
    Já passou meio ano escolar e agora posso dizer que estou muito feliz de ter escolhido ( e de poder pagar mais de 500 euros mensuais) essa escola.
    Estive mais de um ano muito preocupada sobre a escola onde o Antonio iria estudar... aqui é uma boa opçao a escola pública, meu marido estudou numa e realmente era boa... mas desde meu ponto de vista as coisas já nao sao como eram antes... os valores e a educaçao de muitas, muitas familias que vao a essas escolas nao estao perto nem sao parecidos aos valores que queremos para nossos filhos... fique mal um tempo, nao sabia bem o que fazer... meu marido nao estava tao preocupado por nao ver com os mesmos olhos que eu toda a situaçao.... ainda bem que consegui que ele perguntasse aos seus amigos quais eram os colégios dos seus filhos...


    resumindo.... (que já nem sei direito o que quero dizer)... estamos fazendo um curso sobre como educar os filhos!na escola!! Vani, você nao imagina como é bom!!! Muito simples mas abre a cabeça da gente e os olhos e nos ensina sobre quais sao as coisas que a gente deve se preocupar ou deixar de lado... aprendi que as crianças só tem seeus pais como máximo exemplo e ídolo até os 10 anos... daí prá frente os amigos começama ser maior influência cada dia até que nao somos quase nada pra eles.... por isso, agora é o momento! agora é quando a gente tem que dar o máximo de nós mesmos na educaçao dos filhos..

    aprendi a nao obrigar, e sim ensinar a que eles queiram fazer as coisas..seja o que for.. desde comer verduras, arrumar o quarto ou dar um beijo em algúem... a educaçao está pensada em incentivar as coisas boas.... nao usar "isso nao se faz" e sim "isto se faz assim".. tentando deixar a palavra "nao" de lado: "educar en positivo"... é fácil.. só temos que pensar no lado bom das coisas e tudo tem esse lado bom!!!

    Dos presentes de natal.. é difícil, mas o que vc pensou é a melhor coisa da vida.... quando a Isa e a Roberta forem adultas elas vao lembrar dos bons momentos com voce e nao do presente que você deu!! .. eu me lembro de quando meu pai nos levava ao Playcenter para o dia das crianças... era nosso melhor presente!!!
    Eu te dou todo meu apoio com nao aceitar mais coisas que possam separar a familia e a televisao é uma das coisas mais perigosas porque a gente nao pode conversar emquanto assiste um filme, desenho animado ou noticias... eu também tento que a gente se una mais... tenho sorte de nao trabalhar pelas tardes mas acabo limpando e arrumando a casa e perdendo a paciencia com as crianças.. e elas nem tem a culpa!!! hoje tem sido um dia especial...sozinha o dia todo com as crianças.. Sofia doente, com dor de barriga chorando o tempo todo pedindo colo e o Antonio com ciúmes chorando prá chamar a atençao.... por primeira vez.. consegui nao ficar brava!!!! cada vez que eu via que a situaçao ia ficar pior.... lavava com agua fria uma carinha ou levava pro quarto algum mal-humor de um metro de altura!.. até fiz bolachinhas e acabo de pintá-las com glacê colorido!! me sinto o máximo! hahaha
    estou morta de cansaço mas feliz de estar conseguindo ser mais paciente do que sempre fui....

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