A Giovanna bem que disse que as minhas férias estão virando motivo de chacota, saio de uma viagem e entro em outra, ela tem razão.
É que eu não sei se estou de férias ou se estou em fuga.
Normalmente nas férias escolares fico bastante tempo com as crianças, mas desta vez "piquei a mula"dia 19 de Dezembro e só volto dia 25 de Janeiro. Estou corando de vergonha.
Tenho um problema profissional sério para resolver, um abacaxi dos grandes e não faço a menor ideia do que fazer.
Me preocupo, às vezes não durmo, mexo uma palhinha ou outra e... fujo.
Me acovardei.
Então coloco um tênis no pé, corro, corro, corro como se pedisse socorro, socorro, socorro, e de alguma forma me sinto mais leve. Penso muito durante a corrida e sinto que vou deixando um monte de coisas para trás.
Alguém assistiu um filme com o Mel Gibson que ele escuta o pensamento das mulheres? Acho que chama "Do que as mulheres gostam"- Ele precisa fazer uma campanha para a Nike e corre ao lado de uma mulher escutando os pensamentos dela furtivamente. Não esqueço dessa cena porque me identifiquei com ela, acho que é uma sensação comum a todos que correm.
Ainda bem que ninguém escuta o que eu penso! Mas alguns problemas ficam para trás...
E depois daquela semana deliciosa na Bahia viciei em entrar no mar em seguida, à noite, e lavar a alma.
Hoje fiz isso, foi magnífico!!!
Corri 40 minutinhos, ainda faltava subir o morro, mas o céu estava vermelho e o mar estava tão lindo que precisei parar para olhar. Me desesperei porque não tinha como fotografar aquela paisagem, não saberia descrever para vocês as milhões de nuances de amarelo e vermelho, o continente cheio de luzinhas, o contorno das montanhas e até mesmo as nuvens desenhando o céu.
Tirei o tênis e fui para a praia, um homem estava sentado de costas para aquele espetáculo, não me contive e exclamei:
-Você está de costas para esse presente?!
Corri e pulei na água, eram exatamente 20:00 horas. Nadei em direção ao por do sol, bem longe da margem, depois boiei de braços abertos e me deixei levar.
Naquela imensidão, na companhia apenas de várias tartarugas que colocavam a cabecinha para fora para respirar, relaxei... E com os ouvidos submersos só escutava os estralinhos da água, tectectectectec, sentia como se o som estivesse dentro da minha cabeça, ajudando a aquietar meus pensamentos, fazendo com que a tormenta do meu coração se desmanchasse na calmaria daquela água, até que não restasse mais nada mesmo dentro dela além desse confortante barulhinho.
Desejei sair do mar tão leve como enquanto boiava complacente e serena, pedi inspiração, pedi coragem, pedi motivação, pedi até mesmo fé.
Foram só 15 minutos, escureceu mas não enxergava ainda as estrelas no céu. Calcei meu tênis e subi o morro leve como uma borboleta.
A solução para os meus problemas, não, ainda não tenho, mas amanhã será outro dia.
Owwww Mae amei !!! Muito fofs vc !!!
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