quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pela passagem de uma grande dor



Tenho 36 anos. Minha mãe faleceu aos 61. Se eu morrer com a idade da minha mãe, restam-me parcos 25 anos.

A vida é urgente.

Minha mãe sempre foi muito alegre, ensinou a pensar positivo em todos os momentos. E sempre teve muita fé, mesmo nos últimos meses em que a doença avançava devastadoramente.

Vejo a capa de uma revista semanal onde diz que o número de mulheres com mais de 100 anos dobrou nos últimos anos. Se eu passar dos 100 ainda devo viver mais uns 65. Minha mãe viveu apenas 61, mas ela teria muitos planos se chegasse até os 100.

A vida é hoje.

No dia em que minha mãe foi embora, meu pai disse coisas que não vou esquecer jamais. Do vazio que fica dentro da gente. Do quanto viver é simples.

A vida é leve.

Penso também nas coisas pequenas do dia-a-dia que faziam minha mãe sofrer, e no quanto tudo fica tão insignificante quando se faz a passagem.

Há alguns anos atrás quando eu perdi um bebê, uma amiga disse pra eu não procurar explicações pois tem coisas que não se explicam na hora. Quando minha mãe descobriu a doença minha filha estava com 6 meses apenas. Compreendi então que se eu não tivesse minha filha naquele momento tudo seria mais difícil.

Enquanto minhas irmãs e eu arrumávamos minha mãe para a despedida final, senti como é importante ter irmãos e revi a possibilidade de futuramente ter outro filho. Passar por tudo isso com as minhas irmãs ao meu lado foi muito mais fácil.

E como é bom ter amigos. Cada mensagem, oração, flor, palavra, pensamento. Essencial e reconfortante.

Parece que finalmente minha filha entendeu que a vovó Rose virou estrelinha e está morando no céu. Que ela guarde na memória a mulher linda, vaidosa, simpática, generosa, amável e correta que ela foi. Mas que também saiba o quanto ela era capaz de entrar numa briga pra defender a família, do quanto ela sofria ao ver uma de suas filhas sofrendo e do quanto ela desejava que todos nós fossemos muito felizes. E é assim que vou viver daqui em diante. Esforçando-me ao máximo para realizar o sonho dela.

7 comentários:

  1. Vani, não tinha lido a mensagem inteira, que coisa linda. Você realmente descreveu tudo que sua mãe era e gostaria que fossemos.....
    Saudades eternas dela.
    E bola pra frente...
    beijosssss

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  2. gio que texto lindo, me emocionei muito.
    lembrei da nossa infância, brincando na rua, pulando carnaval e etc. e tudo isto acessorado pela tia rose e pelas as outras mães, nilza, ana maria, tia lena ...
    querida perdi meu pai novo tbm, pela mesma doença, e ador ainda não passou apesar de fazer 5 anos.
    força, muita força.
    bjs
    gungum

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  3. Lindo. Força e ALEGRIA que o que a sua mãe mais gostava de ALEGRIA.

    TE AMO

    BJ

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  4. nossa Giov, a verdade é que mesmo que pareca tao simples o que voce diz, quando se escreve a partir da emocao é muito mais forte. entao sinto que voce tem tanta razao. amiga querida, as poucas vezes que estive com a sua mae, deixam no meu coracao a certeza do que voce escreve. a ultima vez que vi a sua mae, foi quando conheci a Ornella. linda.

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  5. Os sonhos, devemos correr, voar atrás deles!!

    A vida é hj sim, ontem e amanhã tb!!

    Força gatona

    E essa linda estrelinha vai sempre mandar boas energias para todos vcs!!

    Um beijão

    Felipe M

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  6. Giovanna,

    Minha mãe faleceu com 54 anos, na época eu era adolescente e senti esse buraco que o Serjão falou, fiquei sem chão, mais realmente os abraços do meus irmãos, era confortante. E os amigos era a alegria de que um degrau nesta existência estava eu a subir.
    A Rose, pra mim é a imagem de uma mulher bela, incrível, de palavras doces, sincera, mãezaça,de forte fé, mais principalmente a tenho como uma mulher de extrema dedicação e amor a família. Aprendi demais com a Rose. Vamos viver o máximo de cada presente desta vida dedicando-se aos nossos amigos e familiares, colocar em prática essa aprendizagem que ela nos deixou. Amo-os demais. Beijabraços

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  7. Gi querida,

    A vida é hoje, é urgente, é linda, é emocionante, muitas vezes é curta e muita vezes é longa.
    No entanto, pode ser "curta" em relação ao tempo, mas se for intensa vale tudo.
    O problema é quando é longa e sem realizações...
    O legado da sua mãe está lindamente descrito no seu texto, que comove, emociona e que faz com que te admire sempre mais a cada dia.
    Quanto a dar uma irmã ou irmão para a Ornella, acho essencial. Nós que temos a felicidade de termos irmãs sabemos o quanto é maravilhoso poder dividir a dor e principalmente o amor.
    Beijos,

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