segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Livros e filmes

Amiga Vanessa,

desculpa te decepcionar.
Desde que virei mãe, minha idas ao cinema rarearam.
Não culpo minha filha, se eu realmente quisesse ir ao cinema toda semana, daria um jeito.
Acho que mesmo antes de ser mãe, eu já não era mais a cinéfila de antigamente. Já se vão muitos anos em que não compro a credencial da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e sinto saudades dessa época.
Meu nome é Trabalho e meu sobrenome é Muito.
Tenho muitas atividades simultâneas e eu mesma às vezes me admiro com o excesso de coisas que faço.
Mas não me arrependo de nada.
As poucas horas que me restam à noite dedico a minha filha, e mesmo cansadas (nós duas) são horas essenciais do nosso dia. Quando não acabo adormecendo com ela na cama, leio. Já não leio mais como lia aos 15 anos, mas a leitura à noite tem sido a minha mais constante atualização cultural e confesso: tá difícil de achar algum livro bem escrito.
Não sou saudosista e sou completamente a favor das tecnologias, mas não podemos negar que a tecnologia funciona para o bem e para o mal. O advento das câmeras digitais fez com que muita gente ficasse achando que é fotógrafo. As facilidades de ter um espaço público pra escrever como os blogs fez com que muita gente resolvesse virar escritor ou jornalista. E não raro dar destaque pra pessoas que escrevem gato com J e saudade com C, como já diria o poeta.
Encontrar um bom livro atual, contemporâneo, um livro assim, bem escrito, tem sido um trabalho de garimpeiro.
Uma boa surpresa foi o "Para sempre teu, Caio F.", um livro meio (auto)biográfico escrito pela Paula Dip, jornalista que nos anos 80 ficou conhecida por apresentar o programa Paulista 900 na TV Gazeta.

Li muito Caio F. na minha adolescência e vivi uma história simpática ao conhecer o Caio e que tem a ver com cinema. Tenho uma amiga do Pio XII, Luciana Veit, que era da turma da minha irmã Graziella e tínhamos uma identificação cultural muito forte na época. Foi ela que me apresentou Caio F., me emprestando "Morangos Mofados", seu primeiro livro de destaque. Passei a ler tudo o que Caio publicou desde então. Assistia a palestras que ele dava sobre literatura, não perdia seus inserts no programa TV Mix 4 também na TV Gazeta.
Num domingo qualquer no começo dos anos 90, fui ao cinema com minha irmã, minha amiga Lu Veit e outra amiga em comum, assistimos Cinema Paradiso. Nascia um novo clássico do Cinema Mundial, e saímos andando pela Paulista comentando sobre o filme, "romanceadas". Num certo ponto minha amiga excitada diz: - Acabamos de cruzar com o Caio F.
Quando olho pra trás, vejo de costas aquele que era um dos meus grandes ídolos da época. Não resisto e chamo:
- Caio!
Ele se vira e vem até nós. Explico que somos fãs. Ele, muito simpático, confessa estar extasiado porque tinha acabado de sair do cinema e tinha assistido a um filme lindo: "Campo dos Sonhos".
CAIO - Vocês já assistiram?
NÓS - Não, mas acabamos de assistir a um filme também maravilhoso, Cinema Paradiso, você já assistiu?
CAIO - Não
Brevemente nos despedimos com a promessa de que nós iríamos assistir Campo dos Sonhos e que ele iria assisitir Cinema Paradiso.
Algum tempo depois, Caio lançaria na Bienal do Livro o romance "Onde Andará Dulce Veiga?". Anotei na agenda o dia e a hora do lançamento e fui para a tarde de autógrafos. Ao sentar ao seu lado na fila de autógrafos, comentei sobre o nosso rápido encontro na Paulista e disse que tinha assistido ao Campo de Sonhos e tinha adorado. Ele se lembrou de mim e disse que também tinha assistido o Cinema Paradiso e tinha adorado. Estava muito quente ali na Bienal. Guardo com muito carinho até hoje meu exemplar de "Onde Andará Dulce Veiga?" autografado: "Para Giovanna, Esperando revê-la num lugar menos quente, Caio F."
Ler o livro da Paula Dip foi reviver aqueles anos, foi matar saudade de mim mesma.
Caio passou para o "lado de lá" em fevereiro de 1996. Apesar de ter sido em vida um escritor maldito, tenho certeza de que foi pro céu, não pro inferno. Certamente um dia vamos nos encontrar num lugar menos quente.

4 comentários:

  1. Gostei da idéia da Vanessa.. anotei o nome do filme, e como a Gi, que nao vou ao cinema à um século (mentira, faz pouco assistí Up! e Panet 51!!! mas sei que nao contam a pesar que aconselho vejam UP!)... vou pedir para minha cunhada gravar da internet para mim! Ela nos deu de natal um aparelho desses onde a gente pode gravar musica, fotos, filmes, séries... o que quiser para ver na tv logo... e já deu cheio de filmes e coisas legais, mas se ofereceu para gravar o que a gente quiser.. vou aproveitar!! rsrsrs

    Ler?... gente, eu sou muito chata ou "monotemática" .. trabalho de manhã e à tarde fico em casa limpando, passando roupa, cozinhando e brincando e cuidando das crianças.. nao tenho empregada e nem tempo para mim mesma.. continúo lutando comigo para ir nadar das 14hrs às 15... e ainda nao consegui !!
    Leio historinhas para os meus filhos e cada vez que posso, compro um livrinho novo.. hà umas semanas compramos uns móveis novos pra sala, só de prateleiras para colocar os livros à altura do Antonio e Sofia.... eles adoram "ler" e achamos que era melhor eles mesmos escolherem o que quiserem e nao depender de um adulto para pegar e guardar os livros.. SOfia ainda nao consegue guardar os que já leu antes de pegar outro... claro, ela nao tem nem dois anos ainda!!!.... bom eu estava contando que estou sempre com o mesmo tema "filhos".... e os livros que estou lendo sao sobre sua educaçao, em todos os sentidos... tudo baseado na educaçao positiva e na educaçao da vontade, para que sejam livres e felizes. adoro o tema, adoro saber sobre o desenvolvimento das crianças e das coisas que sao capazes de fazer.. fico abismada de ver que as coisas com elas sao muito mais fáceis de conseguir quando a gente aprende certas técnicas positivas de ensinar ...exemplo:
    o Antonio, rebelde de 3 anos, nao parava de cuspir quando ficava bravo ou mal humorado, (para conseguir nossa atençao, como tudo o que fazem).. eu já tinha tendado tudo, nao olhar, brigar, castigar.... e nada de nada .. até que um dia ele começou a cuspir no meio do corredor... eu já estava taaaao cansada e nao queria brigar com ele pois sabia que novamente nao ia servir para nada!... passei pelo seu lado (respirando fundo para parecer calma!) e disse "nooooossa, Antonio.. sua baba está caindo!!! pega esse papel e quando vc terminar de cuspir, limpa pois podemos pisar e cair no chao!" e fui prá sala pensando que ele ia continar cuspindo.... dei uma olhadinha escondida e vi que ele estava limpando e logo veio "pronto mae, já limpei tudo e joguei o papel no lixo".... gente, nao é o máximo! hahaha
    E agora ele come direitinho, arruma seus brinquedos depois de usar, ajuda a guardar sua roupa, apaga a tv quando acaba o desenho que está vendo ou quando a gente pede pra apagar.. tudo sem reclamar!!! a vida vai ficando cada vez mais feliz e tranquila e assim consigo fazer muitas coisas em casa e com eles.....

    Outros livros que comecei a ler e estao no criado-mudo esperando que eu pegue de novo.. um livro é sobre a origem das cores, dos pigmentos.. MUITO interesante... logo dou o nome e autora se alguem se interesar. e outro de uma autora española que chama "os caracóis nao sabem que sao caracóis"....

    Alguma de voces já leu algum livro da escritora Isabel Allende, chilena??? ela escreve muito legal e muito fácil.. livros do tipo que vc começa a ler e nao consegue soltar.. pelo menos para mim...
    isso é tudo o que tenho de literatura atualmente....

    que outros filmes aconselham???
    beijinhos a toooodas
    Marie.

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  2. Pusta melda, dos concorrentes ao Oscar não vi NADA! Tenho trabalhado tanto, mas tô tão feliz que nem me importo de não assistir mais nada. Atualemente só vejo 2 filmes: Monstros S.A. e A Fuga das Galinhas. A Ornella não se cansa de assistir 24 horas por dia... O melhor é que eu vejo junto e dou risada toda vez. Esses desenhos são tão bons que cada vez que assisto descubro coisas novas.
    Assisti UP e SUPER recomendo. É desenho pra adulto que muda a vida da gente. Saí do cinema mal, pensando o que eu quero pro meu futuro.
    Na verdade eu gosto tanto da companhia da minha filha que não vejo a hora que ela cresça e possa ir ao cinema e ao teatro comigo assistir filmes e peças adultas.
    Atualmente só vou ao teatro quando faço figurino!HAHAHA
    Daí fiz o figurino de uma peça do Pedro e no dia da estreia a Malu Mader foi com o marido e os filhos. Me deu uma inveja de que os filhos já estão tão grandes que já vão ao teatro com eles.
    Marie, nunca li Isabel Allende, mas ouço falar muito bem. Minha mãe leu uma vez e adorou.
    Sobre pedagogia, tb tô nessa. E tenho descoberto tb umas novas maneiras de conseguir resultados positivos com a minha filha de putras maneiras, como essa sua história. Uma coisa que a professora faz na escola quando quer que as crianças guardem as coisas é dizer pra cada peça guardada que a criança marcou um ponto, como se fosse um jogo. A Ornella adora, guarda uma peça e bate palmas dizendo que fez mais um ponto.
    To aqui combinando com o Boe que o primeiro fim de semana que a gente tiver sem trabalhar vamos deixar a Ornella com alguma avó e vamos emendar uma sessão de cinema seguida da outra pra tirar a barriga da miséria. Depois eu conto pra vcs como foi

    Beijos,
    Giovanna

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  3. Putz, esses posts estão me relembrando aqueas milhoes de cartinhas que escrevíamos durante as aulas. Tenho guardado uma porção delas.
    Gi, não me decepciona nunca!!! Pelo contrário, sempre me faz admirá-la mais, ainda mais com os relatos apaixonados da sua convivência com a Ornella.
    E a Marie também, como são dedicadas essas mães!
    Já ouviram falar do Cinematerna?
    É um projeto que criaram para as mães continuarem indo ao cinema com seus filhos pequenos, inclusive podendo amamentá-los dentro da sala e ninguém se incomoda se um chora, pois todas estão na mesma situação.
    Existe a sessão Cinematerna em várias salas de cinema em São Paulo. www.cinematernacom.br
    Eu também adorei o filme Up, assistimos os 4 juntos e a Isabella ficou tirando um sarro da minha cara porque consegui chorar no filme.
    Realmente choro quando as coisas me emocionam e este filme tem uma mensagem deveras especial.
    É raro percebermos a nossa vida como uma aventura. Não comemoramos as pequenas conquistas e os nossos marcos precisam ser grandiosos.
    Grandiosos aos olhos de quem?
    Acho que vou rever Up qualquer hora.
    Tentei assistir Inimigo Público neste domingo mas acabei cochilando.
    Quanto aos livros, não sou nada seletiva.
    Leio qualquer coisa. Na maioria das vezes é só para me divertir, então gosto de livros como Quando Nietzsche chorou, até a saga Crepúsculo.
    É sério, comprei dois livros da séria para a Isabella e li ambos em uma semana cada.
    Ok, vocês ainda não têm filhas pré adolescentes, mas chegarão lá rápidinho.
    Também gosto de romances ambientados em países diferentes, assim aprendo um pouco da cultura do lugar, alguns fatos históricos e o contexto político da época retratada.
    Um deles foi A Montanha e o Rio, que se passa na China.
    Outro foi Um certo Verão na Sicilia, que tem uma identificação com a história da nona do Fábio.
    Mas quero dedicar um post especial para cada um deles.
    Gi, quero ler o Caio F. No próximo encontro se lembrar de levar quero emprestado.
    E vou ler Isabel Allende também, que é bastante conhecida.
    Já li alguns de Mario Vargas Lhosa, que é peruano, mas só me lembro agora do Travessuras de uma Menina Má. Talvez porque ela era realmente má.

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  4. Queridas amigas!!

    Estou totalmente por fora desses filmes para os pequenos. Só assisti Fuga das Galinhas, Os Incriveis (que o Fernando praticamente tirou das mãos de uma criança na locadora) e o do ratinho cozinheiro (não lembro o nome). São muito bons mesmo.
    Gi, sabe que eu me lembro dessa tua fase do Caio.
    Sobre teatro assisti algumas peças ano passado (esse ano ainda não fui) e a melhor foi Memórias da Cana, ainda em cartaz. E o bom é que custa o preço de cinema.

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