quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os gatos não têm sete vidas


Sempre gostei de cachorros e achava que os gatos eram bichos indiferentes, apesar de bonitos, mas há dois anos atrás estava procurando uma casa para comprar quase em frente a nossa e dentro da churrasqueira encontramos uma ninhada.

A primeira reação foi de susto. Os bichinhos eram tão pequenos e sobrepostos um aos outros, praticamente sem pelos pareciam ratos.

Nos aproximamos cautelosos, as crianças com uma euforia incontida, misto de medo e curiosidade, observamos de perto e identificamos cinco pequenos gatinhos.

Então veio a dúvida.

Será que estão abandonados? Será que a mãe voltaria? E se fôssemos embora e a casa estivesse fechada e a gata mãe não voltasse?

No fundo eu achava que a gata mãe deveria ter ido se alimentar e voltaria, mas corri até a minha casa para procurar uma caixa onde pudesse colocá-los. Peguei uma bacia, forrei com uma toalha e pegamos os gatinhos com certa aflição. Levamos ao veterinário e compramos uma micro mamadeira e um leite em pó especial.

Cuidamos dele como se fossem nosssos filhotinhos, eu com peso na consciência quando me lembrava que a gata poderia estar desesperada procurando por eles.

Começaram a crescer, passaram a comer a ração, mas o instinto da mamada era constante, pois se aninhavam e chupavam em vão barriguina um do outro produzindo o som da sucção típico da mamada.

Após as primeiras vacinas doamos dois e ficamos com dois machos e uma fêmea.

A Nina é preta e branca, porte pequeno, peluda e medrosa por causa do trauma da castração e de uma surra que tomou de outro gato da vizinhaça.

O Félix é todo preto, com as pontinhas das pata brancas, porte médio e pelo curto. Nos conquistou com o jeito que esticava e abria a patinha, afastando as espuminhas uma da outra, algumas pretas e outras cor de rosa.

O Oliver é o mais bonito, também de porte médio, a pelagem longa preta e branca querendo imitar um angorá, olhos verdes e longos bigodes brancos.

Aprendemos a gostar desses bichinhos, a respeita a individualidade deles e ver que também adoram um carinho, e que aquela fama de animal interesseiro não é verdadeira.

Não os criei tão domésticos, eram eus vira-latas, viviam 90% do tempo fora de casa. Dormiam quase o dia todo sob o sol na varanda da piscina e à noite saiam para a bagunça. Esta parte da fama é verdadeira.

Com a expressão do olhar felino pedem amor ou alimento, roçam na nossa perna arqueando a coluna em sinal de prazer e só miam bem baixinho quando estão com fome ou carência extrema, ronronam de alegria quando são acariciados.

Os gatos de toda a vizinhança vinham aproveitar a fartura de ração que ficava a disposição e se divertiam quando um convidado não grato aparecia, correndo atrás do pobre coitado até o telhado dos vizinhos.

De vez enquando brincavam com libélulas ou baratas mortas, carregando os insetos e os arremeçando de um lado para o outro com suas ageis patinhas.

Escapavam pelas frestas das portas entre abertas da casa para entrar escondidos até que os flagrávmos no sofá ou na cama do quarto de hóspedes.

Nunca tomavam água da cumbuca, só da piscina gelada ou da privada.

Por mais de dois anos forma os nossos bichanos na Alameda Coral, mas não se adaptaram a mudança.

Depois de uma semana a Nina sumiu, o Félix e o Óliver se escondiam dentro de casa, mas ontem de manhã quando fui levar a Isabella para a escola senti ter passado por cima de alguma coisa, parei o carro e quando olhei pelo retrovisor vi o Óliver estrebuchando no meio da rua.

Gritei, chorei, deitei no gramado num pranto deseperado por ter atropelado o meu próprio gato.

Não consegui acudir o bichino na hora, mas dois homens que trabalhavam na obra em frente o colocaram numa caixa e me disseram que não daria mais tempo.

Pedi para a Isa voltar para casa andando pois eu iria ao veterinário, ela correu chocada com o acontecimento e assustada com a minha reação.

Ralmente não deu tempo, ele já estava morto.
Me despedi daquele bichano que foi um bom companheiro a sua maneira felina, acariciando os seus pelos pela última vez. Pedi desculpas por não tê-lo visto e perguntei se não era verdade que gatos têm sete vidas, não se mexeu. Desejei que estivesse com Deus.

Não tive coragem de enterrá-lo e o deixei lá no veterinário.Voltei para casa e o Félix também não estava lá, mas espero que volte logo, porque só agora percebo o quanto os amava.

4 comentários:

  1. Que triste amiga. é incrível quanto amor a gente dá aos animais sem perceber, e quando se vao é dificil imaginar a casa sem eles.
    Hoje de manha acordei muito feliz porque nos meus sonhos estive brincando com o Japi (happy em "español"!!)..um cachorrinho que a gente achou na rua e viveu um ano com nós até que teve uma morte muito feia depois de muitas convulsoes.. possivelmente um tumor cerebral, disse o veterinário. nao pudemos fazer nada, só dar-lhe amor e carinho nos últimos días. Olha que já tive vários cachorros, mas Japi foi o que mais mexeu comigo. que saudades daquele bichinho!

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  2. Vani, essa é a Roberta?? que linda!!!

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  3. é mãe(vani)foi realmente muito triste o que aconteceu com os nossos gatos,mais ñ vamos ficar tristis vamos pensar os nosso momentos com eles ... eu sei que vc esta triste e sempre que quiser conte comigo bj isa

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  4. Isa fofíssima, vc até já está acompanhando o blog!! Eu sempre me emociono quando vejo vc e a Roberta, agora estou com os olhos cheio de lágrimas de ver que vc já escreve no blog.
    Vã, que coisa mais triste!!! Deve ser horrível, eu tenho traumas de infância de matar bichinhos sem querer e tenho muita dificuldade em lidar com perdas de animais. Aprendi muito com o Otto. Ao contrário do que eu pensava, na hora em que ele se foi eu acabei ficando mais tranquila do que o Boe. Eu tinha dentro de mim uma certeza de que enquanto o Otto vivesse eu não ia poder ter filhos pq ele tinha muito ciúme de mim.
    Acidentes acontecem, minha tia atropelou a tartaruga da minha prima uma vez, e vê-la agonizando foi terrível pra ela também. A gente fica muito triste e tem que ter muito cuidado quando tem bichinho solto em casa. Mas você não teve culpa. E vc proporcionou a ele a melhor vida que ele poderia ter, isso é importante!
    Beijos

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