domingo, 16 de outubro de 2011

Comentario sobre a postagem da Vani.. nao sei porque nao posso escrever mais comentarios... nao reconhece mais minha conta de email...
----------

Vani, só vc sabe o que quer, mesmo que ainda nao tenha descoberto.... tome as coisas com calma e decida o que achar melhor e vá em frente!
No curso que fiz com o Antonio na escola dos meus filhos disseram uma coisa que é bem certa : "para dar, vc precisa ter" isso em relaçao à familia. Se vc nao tem um tempo pra recuperar sua energía nao terá para dar à sua familia, nao terá paciência, delicadeza.... é preciso "tomar um descansinho" uma vez por semana, um tempinho só prá vc... para mais ninguém! e nao vale ficar em casa sozinha e ficar passando roupa ou arrumando os armarios!!
Amiga, com esse amor imenso que vc tem dentro, vai fazer a coisa certa, pode ter certeza!!!!

Aliás... das minhas melhores idas ao cinema é quando vou sozinha!!! ;)
Marie.

sábado, 15 de outubro de 2011

Viagem pra dentro de mim.





Nesse último final de semana estava combinado, eu iria passar alguns dias absolutamente sozinha em um SPA. A idéia não era perder peso, mas relaxar, fazer umas massagens meditar, descansar...
Na verdade eu queria mesmo um tempo para mim, férias conjugais, férias de filhos, férias das pessoas. Precisava de um isolamento social, queria me voltar para dentro de mim, pensar um pouco na vida.
Acabou que na última hora acabei desistindo, pensei nas crianças, achei que eu estava sendo egoísta e vim para a Ilhabela passar a semana inteira de recesso escolar.
Então percebi que realmente quem está de saco cheio está sou eu, e talvez o mundo inteiro, afinal de contas estamos literalmente na semana do saco cheio.
Meninas, como é difícil conviver, mesmo com as pessoas que a gente mais ama.
E conhecer os segredos mais íntimos de cada um? Aceitar é uma prova de amor mesmo. O Frejat já dizia: "E eu vou tratá-la bem, para que ela não tenha medo, quando começar a conhecer os meus segredos.”
Imagina casa de praia, junta pai, mãe, irmã, cunhados, sobrinhos, filhos, cachorros... É um baita exercício de convivência. Normalmente adoro tudo isso, principalmente crianças brincando , é a imagem mais pura da vida.
Mas quando a gente está de saco cheio só percebe os gritos das crianças, a TV alta, as brigas cotidianas dos pais, o tempo feio.
Advinha o que aconteceu, acabei decretando o meu isolamento no meio de toda essa gente. Fiquei tanto tempo no meu quarto, mergulhada nos meus livros que me tornei uma criatura anti-social, uma mãe não participativa e uma filha ausente.
Minha irmã me deu um toque e tentei melhorar, depois a Roberta ficou doente e me requisitou, então fiquei aliviada por estar perto dela.
Mas acabei me arrependendo amargamente de não ter tirado um tempo pra mim, que era o que eu realmente precisava... Seria só um final de semana mesmo, e depois eu passaria o resto da semana com toda essa gente que eu adoro.
Ainda vou fazer isto, mas vou querer mais tempo, uma semana inteira, e quero poder fazer isto pelo menos uma vez por ano. Pode ser num SPA no interior ou numa metrópole no exterior, não importa, desde que eu possa me virar sozinha, ou com vocês como andamos planejando.
Quando fui para Chicago com o Fábio, peguei o avião em Washington e fui encontrá-lo para um final de semana romântico. Logo que cheguei resolvi tomar um trem ao invés do taxi, pois queria me virar sozinha explorar a cidade de outra forma. Conheci um casal de italianos e fomos conversando até minha estação, quando a gente viaja se permite conversar com estranhos sem o menor problema, o que é muito bom.
Nos divertimos tanto juntos, foi incrível... Mas na segunda de manhã ele saiu cedo e eu estava lá, do outro lado do mundo, sozinha. Tomei um café , corri para o lado que eu escolhi, parei em pontos que eu quis rever e voltei para o hotel. Tomei um banho gostoso e peguei um taxi para o aeroporto.
Pode parecer bobagem, mas foi uma das únicas vezes na vida que eu pude decidir o que eu queria fazer, sem me preocupar com ninguém. Mesmo que por isso eu perdesse o vôo de volta.
Me senti independente, mesmo usando o cartão de crédito do meu marido.
Como li numa crônica da Martha Medeiros – “Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontades próprias, mas sem dispensar a magia de viver um grande amor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero.”
Gostaria de voltar mais uma vez a Chicago, absolutamente sozinha, para ter essa sensação novamente. E de ir para novos destinos só com Fábio e também com as crianças.
Naquele último happy hour o tema da terapia de grupo foi independência. A Ana , Dani e eu discutimos o que nos incomodava em relação a isso.
Chega a ser patético, mas aos 37 anos não atingi minha independência, mesmo tendo duas filhas dependendo de mim e de cuidar da minha família.
Sai de casa quando ainda era dependente do meu pai, casei e passei a ser dependente do meu marido, me formei, abri uma empresa que não me trouxe retorno financeiro, enquanto o padrão de vida da minha família crescia exponencialmente por conta do sucesso profissional do Fábio. (Graças a Deus!).
Sempre teve alguém cuidando de mim. Não vou ser hipócrita, é muito bom poder usufruir de todo esse conforto, mas sinto certa frustração por não ter conseguido minha independência financeira e ter participado ativamente do crescimento da nossa família.
Vejo a vida da Ana com admiração, porque ela saiu de casa cedo, foi morar sozinha, comprou seu próprio carro e escolheu conscientemente uma profissão que também não dá retorno financeiro , mas teve uma vida independente, ainda que cercada por limitações.
Ela mesma perguntou: E você acha isso bom? Disse que está cansada de tudo isso. E também apontou o padrão de vida alto que sempre levei e que escolhi. Hum, confesso, gosto muito de tudo isso!
Caímos na risada. Reclamo de barriga cheia.
Mas entendam, não é uma reclamação, não estou insatisfeita, é só uma pequena frustração. Ainda consciente de que é muito melhor do que ser a provedora da família e viver na pindaíba. Vocês estão entendendo?
Essa crise acabou rolando porque estou repensando meu negócio e me deu uma baita dúvida do que vou fazer depois nessa altura da vida. Tardio para alguém de 37 anos, propício para quem está com 17 e não sabe o que vai prestar no vestibular.
O Fábio me perguntou, e aí, o que você vai querer fazer? E eu disse que primeiro estou pensando em encerrar um ciclo pra depois pensar em outro.
Dois motivos para esta resposta:
1-Não quero que a incerteza do futuro me atrapalhe na certeza do presente.
2-Não faço a menor idéia.
Mas quando esse ciclo encerrar, ai quem sabe será a hora certa para essa viagem pra dentro de mim.

Precisamos de mais um happy hour. A gente gasta com as biritas e economiza a terapia!