Sim, 2010 passou e ficou marcado na minha vida pra sempre, por bons e maus motivos. Foi o ano em que perdi minha mãe e sou a primeira da turma a viver isso. A Ci e a Cris já perderam o pai. Quando o fato ocorreu na vida da Ci graças a Deus eu pude estar ao lado dela, dando abraços apertados já que nada mais é possível de ser feito quando a gente perde alguém querido. Senti muito que a Cris não tivesse partilhado a perda de seu pai com as melhores amigas do mundo, pois estaríamos todas lá para confortá-la.
Daqui a alguns meses já vai fazer 1 ano que minha mãe virou estrela, nem posso acreditar. Isso traz um monte de emoções e sentimentos confusos. Não ter mais mãe significa perder a amiga mais confidente, não ter aquele colinho nos momentos de aflição, não ter mais quem faça aquela canjinha que só ela sabia preparar com tanto amor. Ao mesmo tempo não ter mais mãe nos faz crescer de maneira abrupta. É um amadurecimento a fórceps. Agora a mãe sou eu! Agora não tem mais ninguém pra vir me dizer que não posso comer sobremesa antes da janta. E talvez ela tenha realizado sua missão por aqui, agora é a minha vez.
Descobri uma religiosidade que ainda não conhecia em mim. Consegui controlar melhor minha ansiedade. De que adianta me desesperar, querer engolir o mundo, parar o tempo? Ela já não está mais aqui. Então aprendi a viver um dia de cada vez.
Um mês antes de minha mãe falecer fechei minha loja, que era o maior sonho da vida dela. E sabia que ali ela já estava morrendo um pouco. Tive que fazer tudo praticamente sozinha, afinal de contas minha mãe já passava a maior parte do tempo em sucessivas internações. Minha família estava desgastada e realmente ninguém podia me ajudar naquele momento. Pra piorar, funcionários me abandonaram da noite pro dia, tive que responder um processo trabalhista, fiz a mudança de tudo o que estava dentro da loja pro jardim da minha casa numa madrugada de chuva com funcionários "emprestados" da empresa do meu pai que não tinham experiência com mudanças.
Quando lembro dessa época meu estômago se revira, parece um pesadelo que vivi, revejo aquele caos, minha vida de cabeça pra baixo.
Então os dias foram passando, as coisas foram se ajeitando. Consegui vender alguns móveis, doei muita coisa, fiz liquidações, reformas. Mantive meu ponto de venda no Mercadinho Chic e consegui acertar o mix de produtos, a grade de produção, encontrei meu público alvo. Alguns meses depois de fechar a loja consigo faturar em 4 dias de feira o que eu faturava o mês inteiro na loja. Tenho apenas uma funcionária e não pago mais aluguel. É suficiente? Não, mas já está muito muito muito melhor do que era.
A morte da minha mãe fez renascer em mim uma vontade de fazer as coisas, um prazer em viver ao máximo cada dia. De curtir minha filha, de vender minhas roupas, de fazer o que acredito. Sei que ela está mexendo "seus pauzinhos" do lado de lá. Tínhamos esse acordo apesar de nunca termos falado sobre isso. Ela aparece nos meus sonhos, diz que vem me ajudar. Eu não tenho dúvidas.
No começo desse ano comecei a perceber que a maior parte das pessoas que me cercam, parentes e amigos, estão passando por crise profissional. Talvez seja nossa faixa etária, a lua, o mundo, não sei. Mas eu queria poder plantar uma sementinha no coração de todas essas pessoas que tanto amo. Pra que elas não deixem de acreditar nenhum minuto de que crise é mudança, transformação. E, como já dizia minha mãe, no fim tudo acaba bem, se não está bem é porque ainda não chegou ao fim.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Amigas
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