
Como tinha falado para vocês, estou eu aqui na Ilhabela de férias.
Não tem nada que eu goste tanto na vida quanto o ócio!!!
Para ser sincera não é o ócio que me atrai, mas a possibilidade de fazer tudo que eu quiser e no tempo que eu quiser. Ah! E também não precisar trabalhar, é claro.
Queria ter para o trabalho a mesma motivação que tenho para o lazer.
Como definiu o Marins: "A motivação é composta pelo
conjunto de motivos, das razões de ordem lógica, racional,
cartesiana que levam o indivíduo a fazer suas opções na vida"
Ou seja, motivação é o motivo de viver.
Na verdade temos muitos motivos para viver, talvez por isso tenhamos mais motivação para uma coisa do que para outra.
No momento estou extremamente motivada com uma viagem que faremos em setembro pela Toscana, vamos pedalar durante 1 semana para conhecer toda a região, e desde que definimos o destino estou me preparando fisicamente para conseguir pedalar de 50 a 100km por dia sem dores.
E como adoro uma fantasia, a minha viagem já começou no primeiro dia em que comecei a treinar. Pelo menos tres vezes por semana enquanto pedalo coloco no ipod uma seleção de músicas italianas e imagino como são os lugares, as pessoas, a paisagem, a língua, a comida de lá!
Comprei um livrinho de italiano básico e fico ouvindo o CD no carro durante o inevitável trânsito de 1 hora todas as manhãs e também comecei a ler Sob o Sol da Toscana de Frances Mayer.
Ainda estou na metade do livro e adorando. Ela é uma escritora americana que comprou uma casa antiquíssima na Toscana, fez uma super reforma quase com as próprias mãos e se apaixonou loucamente pelo local. Adoro as descrições da comida, não de receitas, mas da forma como eles curtem comer. O cheiro dos temperos, do manjericão, do presunto crú, de horas e horas na mesa com amigos tomando vinhos e prosecos.
Às vezes fico pensando se no futuro podemos nos aventurar numa loucura dessas. Quando as crianças forem adultas vou querer me mandar com o Fábio e viver algum tempo em outro País. Quem sabe na Itália...
Mas voltando para as minhas férias de agora, aqui na Ilha, tem feito dias incríveis de sol e para mim cada dia é um presente.
O despertador toca às 8:00h, mas desligo e só levanto quando da vontade. Tomo o café da manhã lentamente na companhia dos meus pais apreciando uma vista maravilhosa para o mar, depois pego minha bike é pedalo por umas duas horas.
Esta pedalada é uma das minhas horas preferidas do dia, sempre percebendo a evolução do treino quando as subidas ficam cada dia mais fáceis, e simplesmente maravilhada com toda natureza deste lugar. As praias calmas com o sol absoluto refletindo no mar, os coqueiros e milhares de chapéus de sol, mangueiras e jaqueiras espalhando o cheiro das frutas que às vezes de tão maduras caem e apodrecem no chão, e flores de todas as cores, principalmente as primaveras cor de rosa. Folhagens vermelhas, amarelas e verdes de todos os tons e revoadas de periquitos com um canto que se houve a quilômetros de distância.
Chego em casa me sentindo tão viva, é uma sensação de euforia mesmo.
Depois vou a praia com as crianças,as observo cavarem um enorme buraco na areia, nadando na água extremamente gelada, se lambuzando com um sorvete de chocolate que escorre pingando na barriga. É a coisa mais linda do mundo a inocência deles...
Leio meu livro na areia, durmo sonho, acordo e vou ao mar para despertar, remo no caiaque do meu sobrinho e na imensidão do mar me sinto tão pequena no meio de tudo isso.
Antes do por do sol votamos para almoçar e a mamãe prepara aqueles banquetes caseiros com o sabor da minha infância. O arroz e feijão que ninguém faz igual, o frango inteiro com aquele molho acastanhado de sabor intenso, cenourinha e escarola refogada, salada com manga e mussarela de búfala... E de sobremesa um doce de abóbora com coco e queijo branco. Toda a caloria gasta no treino é recuperada em dobro nesta hora!!!
Quando chega a noite um passeio a vila é praticamente a única opção. Damos uma passada no Ponto das letras, folhear revistas e ler as orelhas dos livros, tomar um café ou um capuccino, e para as crianças basta uma sorvete no rocha.
Bela rotina de férias, não é?!
Trouxe álbuns de fotos para organizar, o livro de italiano para estudar, um caderno para começar um planejamento de vida, daqueles que a gente coloca o objetivo/metas com prazos definidos.
Tá certo que só consigo me dedicar ao planejamento de novas férias, de um possível período sabático com o meu marido no futuro, dos cursos que quero fazer no futuro, mas já é alguma coisa.
Me culpo um pouco de só pensar no lazer, não sou procrastinadora do prazer como li em um artigo outro dia, muito pelo contrário.
Depois dessas férias preciso me dedicar mais ao trabalho, colocar mais energia na minha loja.
Mas enquanto esse dia não chega vou curtir e relaxar.
Aproveitei e guardei o caderno do planejamento na gaveta, pelo visto não vou conseguir abrir nenhum dia por aqui. É que eu ia ficar só com as crianças mas o Fábio me fez uma surpresa e vai passar a semana toda conosco, então passei apenas dois dias de solidão.
Com ele a rotina fica mais agitada e aquele negócio de não ter hora para acordar acaba. O cara diz que dormir é perda de tempo e tem uma energia que é difícil de acompanhar.
Hoje saímos da cama às 7:30 para pedalar para voltar cedo e curtir o dia no mar.
Como é o homem das surpresas, ontem quando chegou comprou um barco e estamos loucos para ensinar as crianças a esquiar!
Bom, para aguentar a água fria, só sendo criança mesmo.
Eu queria saber quando é que vou crescer também...