quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vivendo de maneira mais simples

Lendo esse texto da Vã que se encontra logo abaixo, resolvi falar um pouco o que penso.
Fico feliz, amiga, com sua decisão de proibir a televisão no quarto da Roberta. Aqui em casa só existe um aparelho na sala, sou totalmente contra TV no quarto. Meu marido é viciado em televisão. Como editor de imagens, assistir a filmes e seriados de TV faz parte da vida profissional dele. Um amigo meu motorista quando viu o Boe chegando em casa, ligando a TV e indo pro computador, fez uma comparação que achei genial: "depois de um dia inteiro de trabalho na frente do computador assistindo cenas de filmes, o Boe, pra relaxar, chega em casa e vai pra frente do computador e da televisão. Seria o mesmo que eu chegasse em casa e resolvesse ficar dando uma voltinha de carro no quarteirão."
Acho que se tivesse TV no quarto nem sexo faríamos mais. Mas o que vem me preocupando imensamente é o tempo que minha filha passa na frente da TV. Claro que ela só assiste Discovery Kids, mas ainda assim, o fato de a televisão ser a única opção pra um dia de chuva, me incomoda imensamente. Então resolvi matricular minha filha numa escola esse ano pra diminuir o tempo que ela passa em frente da TV, entre outras coisas.
Sinto que sou uma pessoa privilegiada por morar em São Paulo numa casa com um quintal gigante, jardim com grama na frente e atrás da casa, uma pintangueira, um pé de limão, um pé de mixirica. Fizemos também vários canteiros onde plantamos tomate, cenoura, pimentas de vários tipos, morangos, cebolinha, alho, manjericão, hortelã, além de nossas flores amadas: hortênsias, onze horas, strelitzia, lírios, agapanthos, primavera... De brinquedos temos balanço, gangorra e escorregador. E ainda um tanque com três tartarugas, uma cadela, duas calopsitas e um peixinho dourado. Tudo isso fica perto do Parque do Cordeiro, uma espécie de mini-Ibirapuera, além das praças vizinhas onde podemos observar os macaquinhos ao cair da tarde.
Ainda assim minha filha passa muito mais tempo do que eu gostaria na frente da TV.
Então comecei a visitar várias escolas no bairro e particularmente algumas que seguem a Pedagogia Waldorf
Nunca entendi nada de Pedagogia, nunca havia me interessado pelo assunto apesar de ter uma irmã Pedagoga. Entrei em contato com esse método de ensino quando minha sobrinha foi estudar na Escola Waldorf São Paulo. Sabia que era uma coisa que privilegava o artesanato, as coisas manuais e que seguia um calendário mais ligado a natureza e as estações do ano, uma coisa assim meio hippie.
Agora chegou minha vez, e de todas as escolas que visitei, fiquei especialmente encantada com o Jardim Margarida
Então me foi indicada uma bibliografia pra saber um pouco mais sobre Rudolf Steiner, o criador da Pedagogia Waldorf. Minhas férias na fazenda com a Ornella e os livros Waldorf foram providenciais pra me jogar de cabeça nessa volta a natureza e confirmou minha certeza de que fiz a melhor escolha. Os pais são orientados a não usarem em seus filhos roupas com marcas ou personagens de televisão pra levar a escola. A mochila é uma sacola de pano, se a mãe tiver habilidades manuais pra fazer uma com a criança, tanto melhor. As crianças são estimuladas a brincar com bonecas de pano (que os livros ensinam a fazer recheada com a lã bruta), sementes, toquinhos de madeira, folhas, coisas encontradas na natureza. Os brinquedos são todos educativos e de materiais naturais como madeira, algodão.
A Pedagogia Waldorf surgiu no comecinho do século passado (acho que em 1919) e tem muitas coisas que temos que trazer para nossa realidade atual. Tem muita gente que proibe totalmente os filhos de assistir Tv. Ok, nem tanto ao mar nem tanto a Terra.Mas confesso que me deu uma felicidade extrema quando passei em frente a Escola Rudolf Steiner na hora da saída das crianças e vi que na porta da escola, ao invés de ficar um vendedor de salgadinhos, balas e pirulitos, tinha um senhor com uma barraquinha de frutas. E com que alegria as crianças iam comprar bananas, maçãs e mixiricas!
Não proibirei minha filha de ver televisão, mas vou cuidar para estimular ao máximo que ela se interesse pelas coisas simples da vida. Que ela perceba, por conta própria, o quanto é mais gostoso passar horas num balanço do que ficar ouvindo aquela música chata do Lazytown. E naturalmente ela vai querer desligar a televisão pra ir brincar no jardim. Acho que a coisa que mais desejo pra minha filha é que ela tenha espírito crítico e saiba discernir o que ela acha que vai ser bom ou não pra ela. E isso engloba ser uma pessoa segura.
Honestamente eu não tenho culpa e sempre discuto com minhas amigas mães a máxima de que ser mãe é ter culpa. Eu desejei por tantos anos ser mãe que não cabe a culpa nessa relação. Amo tanto meu marido e vivemos numa harmonia tão bacana que considero que uma criança merece viver num lar com todo esse amor. Seria muito egoísmo meu não querer compartilhar isso com um filho. Ao mesmo tempo, Dani, admiro sua opção de não querer tê-los, mesmo que seja por enquanto. Acho que você não tem que se envergonhar de dizer isso, não é pecado não querer ter filho. Ou se vocês acham que ainda não estão prontos pra tê-los. Eu levei dez anos de casada pra começar a querer.
Vã, pode ter certeza que você é uma excelente mãe, suas filhas são a prova disso. E se a gente tem que trabalhar muito elas vão crescer sabendo que a mãe é uma guerreira e vão sempre ter muito orgulho de você. Você pensa que o fato de ficar ausente por conta de trabalho e elas terem tudo vai transformar suas filhas em seres frios que não se apegam a nada mas pensa no outro lado: elas te veem sair pra trabalhar todos os dias e veem as coisas que você conquista com seu trabalho. Elas sabem que nada cai do céu e o melhor exemplo que você passa é de que elas batalhem pelas coisas que desejam como você faz todos os dias. Eu não tenho dúvidas que serão meninas de muito sucesso! O resto você resolve na terapia!
Amo vocês, minhas queridas amigas.