quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Campanha Bem Te Quer



Oi meninas,


Nós iniciamos uma campanha de Natal na Belle Petit & Maison e quero compartilhar com vocês, pois é em prol de uma ONG chamada Lua Nova que assiste jovens mães em situação de vulnerabilidade social e acho que vale a pena conhecerem.

Muitas dessas meninas engravidam cedo por falta de informação ou até mesmo devido ao abuso sexual que ocorre dentro de casa, por padrastos, primos, tios, etc...

O trabalho social não é puramente assistencialista, pois também está focado no amparo piscicológico e na geração de renda.


Este projeto de responsabilidade social é uma iniciativa do do Roteiro das Grávidas, denominado Bem Te Quer, e está neste Natal mobilizando o comércio da Vila Olímpia para arrecadar mais de 1000 latas de leite pra a ONG Lua Nova, que atende grávidas carentes e suas famílias.
Na Belle Petit & Maison, cada R$500,00 em vendas serão revertidos em 1 lata de leite em pó, assim como nas lojas Puro Amor, Zzou e Maria Barriga.

Também estamos vendendo os produtos Criando Arte, que são produzidos na ONG para geração de renda das próprias gestantes, e 100% do valor arrecadado será direcionado para elas com mais uma lata de leite.
E como quem quer bem doa carinho, pedimos que as nossas clientes deixem uma mensagem para estas jovens mães no cartão de Natal produzidos para esta campanha, levando também uma palavra de carinho, conforto e esperança.
Os leites e os cartões serã entregues no dia 20/12/09, numa linda festa de Natal proporcionada pelo Roteiro das Grávidas, com o apoio da Akalar que estará ministrando uma palestra sobre Maternidade Consciente.

E se vocês tiverem tempo para passar na loja, venham escrever um cartão de Natal para elas e trazer uma latinha de leite Ninho!





Mais informações sobre a ONG Lua Nova http://www.luanova.org.br/
A Associação de Formação e Reeducação Lua Nova é uma organização não-governamental que busca a ressocialização de jovens em situação de vulnerabilidade social com o desenvolvimento e experimento de novas técnicas que visam torná-los multiplicadores e modificadores das comunidades em que vivem. No local, são atendidas jovens mães em situação de vulnerabilidade social e seus filhos, além de jovens, de ambos os sexos, de bairros periféricos sorocabanos com alto índice de risco social.

A organização é reconhecida como uma entidade de utilidade pública federal, foi escolhida como uma das cinqüenta melhores formas brasileiras de mudar o mundo pela PNDU (ONU) e possui o apoio federal para a disseminação de seus métodos, vencendo prêmios da Ashoka, McKinsey & Company, Prêmio Cláudia - categoria trabalho social, Marketing Best - Responsabilidade Social, além de ser finalista nos prêmios Empreendedor Social 2008, promovido pela Folha de São Paulo e Fundação Schwab, Mulher de Negócios do SEBRAE, em 2006, e Generosidade, promovido pela Editora Globo no ano de 2008.stamos dando inicio a Campanha Bem Te Quer em prol da ONG


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Depressão

A mesma revista que me inspirou a idéia deste blog tem também uma outra matéria que vale a pena ler.
A revista é a Vida Simples, da editora Abril, no site www.revistavidasimples.com.br da para ler as matérias na íntegra.
Resolvi postar esta especialmente porque fala de depressão, já que no nosso último happy hour este foi um assunto que me deixou preocupada.
Já vi pessoas muito próximas passando por isso, presenciei as crises psicóticas, o tratamento e, felizmente, a cura.
Sorte eu não ter passado por uma depressão, mas acho que esta é a doença do novo século e acomente grande parte da população.
Pessoas que não conhecem podem achar que é fraqueza, frescura ou qualquer coisa que o valha, mas quem passa pelo problema se sente excluído e não enxerga a solução.
Mas uma coisa é certa: Tem solução sim.
A vida é muito boa para ser desperdiçada e a felicidade está em muitos lugares onde não se pode ver, mas o importante é que se pode sentir!


Vôo cego


O que é a depressão, quais são suas características e como lidar com a pessoa deprimida
texto Rodrigo Levino fotos Manuel Nogueira

Deixar as crianças na escola, trabalhar, cumprir prazos, horários, metas, lembrar a senha do banco, o vencimento das contas, atualizar o Facebook, checar e responder e-mails de trabalho e pessoais, ligar para os amigos, brincar com os filhos, ir ao cinema, enfrentar horas de engarrafamento, segurar o medo da insegurança, alimentar-se, dormir, acordar. E, por fim, estar pronto para um novo dia onde mais tarefas serão somadas à lista. Sim, nós podemos.
Mas e quando não conseguimos mais? E quando deixamos de acreditar que somos capazes de ao menos levantar da cama e cumprir o menor dos afazeres? Para além da contumaz preguiça de segunda-feira ou da impaciência que nos faz perder o ânimo de encarar o chefe, o trânsito ou o amigo carente que cobra atenção, é possível que a depressão tenha chegado e, com ela, a sensação de impotência descrita com simplicidade em janeiro de 2008, no diário da jornalista americana Daphne Merkin, 55: “Jamais conheci uma pessoa depressiva que quisesse sair da cama pela manhã – que não vivesse o raiar do dia como uma convocação para se enterrar ainda mais embaixo das cobertas”.
"A pessoa deprimida não consegue enxergar todas as coisas boas que a vida ainda pode lhe reservar"
Daphne sabe do que fala. Ensaísta, romancista, crítica literária e de cinema consagrada em publicações como a revista New Yorker e o jornal The New York Times, ela convive há 40 anos com a depressão. Alternando calmaria e recaída, vivacidade e fracasso, a jornalista confessa desejar que tudo fosse mais simples, “como engessar a mente até ela sarar, assim como se engessa um tornozelo quebrado”. Expectativa similar – e às vezes frustrada – à de Manuela, Laura, Pedro, Tatiana (identificados, a pedido, apenas pelo primeiro nome) e Luiz Caversan.
Os cinco personagens ouvidos por VIDA SIMPLES enfrentam ou enfrentaram a dificuldade de não ceder ao “enterrar-se ainda mais embaixo das cobertas”, e ajudaram a montar um pequeno mosaico da doença que, de acordo a Organização Mundial de Saúde, atinge anualmente 4% da população feminina e 2% da população masculina ao redor do mundo.
No total, estima-se que 20% da população mundial sofra ou tenha sofrido de depressão em alguma época da vida. Associada a outras doenças, é o mal que até o ano 2020 ocupará o segundo lugar das causas de morte, atrás apenas dos males coronários.
Não conseguir encaixar-se no check-list da modernidade é um poderoso gatilho para o início da depressão, mas, ao contrário do que se imagina, está longe de ser o principal motivo para a manifestação da doença. Afinal, há pelo menos 2 mil anos, quando não havia chefes ou engarrafamentos, os gregos diagnosticaram e conjeturaram a respeito do problema.A crise Voltar ao trabalho após o nascimento do segundo filho transformou- se numa tarefa hercúlea para a recifense Laura, 34, advogada. A vocação exercida com prazer desde os 22 anos virou, do dia para a noite, “a pior coisa que podiam me obrigar a fazer”, afirma. A segunda maternidade aos 29 anos diferiu em tudo da chegada do filho mais velho.
Aos poucos, o desânimo estendeu- se à casa, à família e aos amigos. A vaidade e a libido deram lugar à fadiga e à sonolência, que praticamente a incapacitaram de viver o primeiro ano da criança. O casamento esteve à beira do fim em pelo menos três ocasiões. Alternando recaídas e melhoras, o problema correu sem nome por mais dois anos e meio, até que em julho de 2008 veio o diagnóstico, quando ela se dispôs a procurar um terapeuta: depressão pós-parto.
Para a carioca Manuela, 24, produtora de moda, o estopim foi a separação dos pais. Abatida, decidiu recomeçar a vida há quatro anos em São Paulo, acreditando estar a uma distância segura dos problemas familiares. A solução revelou-se um desastre. Sozinha, sem amigos e sem apoio familiar, Manuela sucumbiu à hostilidade da metrópole, aos engarrafamentos, ao ritmo acelerado do novo trabalho e, pior, à bebida. Em dois meses foi a nocaute. “Fui salva pelo meu pai, que veio me visitar e viu que eu mal comia, bebia muito e faltava ao trabalho, que por pouco não perdi”, diz com expressão de alívio.
“Estou há um ano sem crise, mas Desde Hipócrates o problema vem sendo analisado e ainda hoje é uma questão central nunca se sabe...”, diz Manuela. Aliando terapia, antidepressivos, esporte e alimentação saudável, ela diz sentir-se mais forte, embora o medo de novas crises esteja à espreita. Antes do atual período de calmaria, o maior problema foi a falsa sensação de cura. Nos dois primeiros meses em que se viu aparentemente recuperada do problema, voltou a beber. A mistura de álcool com remédios a fez reviver o inferno de antes. “Achei que iria de novo para o fundo do poço, mas consegui sair.”
Apesar da quantidade de casos relatados a partir de perdas e/ou traumas, não é sempre que se dá um estopim. Foi o que faltou, por exemplo, ao caso do jornalista Luiz Caversan, 52. “Os primeiros sintomas da depressão vieram em 1998. Eu morava numa cidade linda [o Rio de Janeiro], tinha um ótimo emprego, vida social intensa e satisfatória.” Nada impediu, no entanto, que a doença viesse à tona, junto com a falta de apetite, o excesso de sono e a tristeza crescente.
“Enfrentei fases muito agudas por longos oito anos, até 2006. Nos últimos três anos a vida melhorou muito”, afirma Caversan, que de vez em quando lida com a melancolia, mas nada que se compare às crises passadas. Quando indagado sobre que conselhos daria a alguém que acabou de descobrir o problema, ele se diz inapto para regras, mas, se for o caso, que se busque um meio-termo. “Nem a vergonha de ter a doença, muito menos viver em função dela.”O problema De Hipócrates a Sigmund Freud, o conceito de depressão foi ampliado e até hoje é perenemente ajustado às novas descobertas e casos. Para o grego, de cuja língua se origina o termo melancolia (ao pé da letra, “bile negra”), a ação de Saturno sobre o corpo humano fomentava a produção de uma secreção do baço, capaz de alterar o humor do indivíduo, levando-o ao isolamento e à fadiga.
Freud, no ensaio Luto e Melancolia, afirma que a depressão (à época ainda simplesmente “melancolia”) tem, afora a perturbação da autoestima, uma série de sintomas que poderiam estar encaixados nas características do luto: “Desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade e uma diminuição dos sentimentos de autoestima”.
O elenco de sintomas ligados unicamente à perda foi, se não desmentido, ultrapassado. Vide o caso de Luiz Caversan – entre tantos outros –, levado a lidar com a doença sem motivação factual. Por isso, perceber, assumir e entender a depressão requer paciência, consciência de que é possível viver tendo a doença e coragem de comunicar o problema.
Não é sempre que cansaço, tristeza, angústia e solidão bastam para o diagnóstico. A duração desses sintomas, no entanto, é um medidor à mão para saber-se doente ou próximo de alguém que padece da incapacidade de se adequar ao mundo, às cobranças e ao, no dizer de Lacan, “dever de ser ‘todo’ para o ideal” de felicidade, realização pessoal, profissional e afetiva.A perda “A principal característica da depressão é a sensação de perda de felicidade. O indivíduo deixa de sentir prazer em tudo que gostava e tem uma sensação de angústia profunda. O diagnóstico clínico exige que haja uma mudança qualitativa na vida da pessoa, um estado duradouro e persistente de pelo menos duas a quatro semanas”, afirma Jair Mari, 56, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e professor honorário do Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres. Ao redor da angústia, estacionam os extremos: falta ou excesso de apetite, insônia ou hipersônia e ainda inquietação ou inibição motora e diminuição da velocidade de pensamento.
Para a terapeuta Leda Campos, 51, sentir-se “desconectado” é uma maneira de se colocar perante o mundo, mas que precisa de regulação, “a fim de não tornar a vida em sociedade inviável”. Leda diz ainda que “a tal desconexão pode se dar ou pela sensação de impotência ou pelo excesso de ansiedade, que finda em caos, paralisando da mesma forma a vida do indivíduo”.
Vê-se, portanto, que a imagem para baixo que o senso comum criou do deprimido é falha. A realidade varia caso a caso. No caso do paulistano Pedro, 38, professor do ensino médio, a euforia repentina e duradoura o levou ao diagnóstico da depressão há sete anos. “Não conseguia sequer dar aula, tamanha a ansiedade. Passei a ter palpitação, suar frio, fazer mil coisas ao mesmo tempo sem dar conta de nenhuma.”
As tarefas inconclusas levaram o professor ao acúmulo de pendências. Impossibilitado de colocar em dia o planejamento e a execução das aulas, viu-se afastado dos alunos, cobrado pelos superiores e desregrado na dieta que levara até então, agora muito acima do peso e insone. “Foi quando sofri um ‘blecaute’, um curto-circuito. Me disseram que era apenas uma crise nervosa por excesso de trabalho.” Instado a permanecer com o primeiro diagnóstico, Pedro não se satisfez. O gatilho da primeira crise estava à vista: o fim de um namoro de dois anos e meio. “A terapia me ajudou a enxergar o ponto de partida da minha depressão. Os remédios são fundamentais para controlar minha ansiedade”, diz, para em seguida relatar a sua maior dificuldade: comunicar a depressão aos mais próximos. “É difícil fazer entender que não é simples, que pode demorar a passar.”Queda livre Compartilhar a doença é um dos pontos mais delicados da relação entre o deprimido, seus familiares e amigos. Apesar do apoio que de antemão se presta ao doente, dois problemas são possíveis: a falta de paciência no trato com o paciente e a culpa que o acomete. No entanto, a rede de apoio engendrada a partir da consciência do problema é fundamental para sua recuperação.
Para Jair Mari, um dos caminhos que facilitam essa comunicação é deixar claro que ter depressão “não é indicativo de fraqueza ou de falha pessoal. É importante saber que os sintomas não vão desaparecer espontaneamente, e que em geral os antidepressivos demoram de três a cinco semanas para fazer efeito”.
Estar ciente de que o que se busca não é a cura, mas a melhor administração possível da doença, é outra arma a ser utilizada. Para Caversan: “Hoje as coisas melhoraram muito nesse sentido. Há muita informação circulando na internet, na TV, em publicações. O que torna o problema próximo de quem convive com o deprimido”.
Informar-se sobre o problema foi uma das saídas encontradas pelo próprio Caversan, que escreve regularmente sobre o assunto na coluna que mantém na versão online do jornal Folha de S.Paulo. Escolha parecida com a do também jornalista Andrew Solomon. Americano, colaborador do The New York Times, Solomon, que teve a primeira crise depressiva aos 31 anos, lançou há dez anos o livro O Demônio do Meio-dia – Uma Anatomia da Depressão, onde esmiúça as implicações sociais e culturais da depressão ao longo da história, figurando-a como uma “sensação prolongada de queda livre”.
O “estar ciente” dessa queda ajuda a amenizar outra face da doença: a culpa. Incapaz de viver, sair, se divertir, reagir à insistência da participação em atividade coletiva, o deprimido fica a um passo de se sentir culpado, quando na verdade é vítima.
Para a publicitária paulista Tatiana, 29, o mais trabalhoso da crise que enfrenta há cinco anos foi ter consciência de que não atender ao chamado dos amigos para festas e viagens, ou mesmo ao almoço em família no domingo, era algo que podia ser compensado assim que a depressão estivesse sob controle.
“É um período difícil, quando não fazer parte da turma pode parecer má vontade, ‘frescura’, preguiça. Quando me convenci que não era nada disso, foi mais fácil que os outros entendessem que assim que isso [a depressão] melhorar eu voltarei a vê-los, tão alegre quanto antes”, diz, emocionada.Entendimento A compreensão alcançada por Tatiana entre seus amigos não é uma regra. Por mais entendimento que haja do problema, é difícil “lidar com um ente querido prostrado, sem ânimo”, diz Caversan. “Os familiares costumam queixar-se muito de cansaço, de conversar e não obter resposta, brincar e não receber nem um sorriso, e ainda ter que conviver com o isolamento do paciente, a inércia para se alimentar”, diz Leda Campos.
Diante de tantas dificuldades, é improvável uma receita de como agir. Deve haver, mesmo assim, um fio condutor que une respeito, dedicação e solidariedade. E ainda, segundo Jair Mari, a noção de que “antidepressivos não são pílulas da felicidade. Na presença de ideias de suicídio, o sujeito deve ser informado de que a depressão poderá passar nas próximas semanas e que essa sensação de desesperança e impulso suicida também desaparecem no decorrer do tratamento”.
Para Manuela, o apoio dos pais, mesmo separados, foi realmente fundamental para que as crises rareassem. No caso de Laura, a mudança de postura do marido diante do diagnóstico da depressão pós-parto foi a tábua de salvação: “Em vez de cobrar, ele passou a compreender. Foi a melhor forma de me sentir apoiada, segura”, afirma a advogada, hoje de volta ao escritório.Cura? No geral, a depressão é um distúrbio químico – e não apenas isso. Há componentes genéticos. É comum encontrar famílias em que a depressão atinge vários membros e atravessa gerações. Por outro lado, o distúrbio químico vem a reboque do disparo de uma situação depressiva (luto, fim de um relacionamento etc.).
“O risco de recaída é de 60% com antecedente de dois episódios depressivos e de 90% na vigência de três episódios”, diz Jair Mari. Entre 50% e 85% das pessoas sofrendo de um episódio de depressão aguda irão ter um futuro episódio, usualmente dentro de dois a três anos. Na vigência de crises frequentes e de certa gravidade, assim como nos pacientes com baixa de humor prolongado, o tratamento poderá se prolongar por toda a vida.
Esses dados, em lugar de provocar desânimo, devem configurar êxito na busca pelo máximo de informação possível, de maneira a tornar palpável o controle das crises, tornando-as esparsas e cada vez mais leves. Há gente confiável, competente e disposta a entender cada vez mais a depressão.
“Nosso trabalho na terapia, com auxílio, se preciso, de antidepressivos, é ajudar as pessoas a retornarem à vida social, dando a elas a sensação permanente de luta, mas o principal: de batalhas vencidas dia após dia”, diz Leda. Manuela, Laura, Pedro, Tatiana e Luiz são unânimes em concordar.
LIVRO O Demônio do Meio-dia – Uma Anatomia da Depressão, Andrew Solomon, Objetiva

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dentes do Juízo

Estou de molho em casa.
Acabei de arrancar o segundo e último dente do siso, destes que não servem pra nada.
Por sorte nasci semi evoluída (apenas dois). Sorte mesmo seria não ter tido nenhum porque esses dois me valeram pelos quatro!
Como deu trabalho!!!!
Com tanta tecnologia a nossa volta me senti hoje na idade média, com dois (isso mesmo) dois dentistas se debruçando sobre mim, com todos aqueles instrumentosinhos de tortura. Creio que só faltou o alicate medieval.
E aí cabe a pergunta: A partir de agora devo perder ou ganhar juízo?
Nunca entendi o porquê de chamarem esses dentes inúteis de dentes do juízo. Talvez pela idade que eles começam a causar problemas, seria a idade de criar juízo? Ou de despirocar de vez?
Acho que prefiro a segunda opção, pois a única coisa boa deste dia foi que um dos dentistas (debruçado sobre mim) era beeemm bonitinho.
Enfim, viva a falta de juízo!!!!

sábado, 14 de novembro de 2009

Entrei!

Amigas,

Entrei no blog! Nem acredito que estou de fato paticipando de um! Passei em branco pelo Orkut, Facebook, MSN... Meu celular nem tem chip, mas, para ficar mais perto das melhores amigas do mundo, vale a pena.
Vou me atualizar do que vocês já colocaram no blog.
Encontro vocês na próxima postagem!
Beijocas!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Classes de Castellano

















Marie,

Como não se lembrou das nossas aulas de Castelhano, fui procurar uns exemplares nas minhas caixas de carta antigas. O mais incrível e inacreditável é que tenho muitas delas, mesmo as dividindo em pacotes por amigas.



Peguei o primeiro pacote Marie, e uma das primeiras que surgiram foi exatamente a primeira das nossas aulas.



Logo depois achei várias outras, como estas que postei agora.



É engraçado isso, porque parece mesmo que tudo conspirava para que eu achasse, ainda mais tão rapidamente.



Nesta noite houve um blackout e fiquei horas no escuro lendo as nossas memórias a luz de velas.



Me diverti tanto!!! Com o tempo vou colocar algumas no nosso blog para compartilhar com vocês, assim como fotos daquela época deliciosa.



Gracias!



Besos, Vani.






Belle Petit & Maison

Oi Amigas,

Algumas de vocês conhecem a minha loja, mas este é um vídeo bem curtinho que mostra um pouco do nosso trabalho.

Não esqueçam de indicar para as suas amigas grávidas, ou para aquelas que já tem filhos, já que além do quarto de bebê, fazemos também o infanto-juvenil.

Beijos,

Vanessa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A procura do leite

Amigas,
Vou postar um texto escrito pela minha filha Isabella, de 10 anos, para um trabalho escolar.
Algumas correções ortográficas e de pontuação foram feitas, mas apenas as que ela permitiu.
Sei que como mãe acho tudo o que ela faz lindo, mas esse texto tem uma riqueza especial.
espero que gostem!
Beijo,
Vanessa

A procura do leite


Há muito tempo, quando ninguém sabia que a terra era redonda e as pessoas não paravam de crescer, existia uma família de gigantes.
Passo Grande que queria ser modelo -a mãe de Pato Lino, e seu pai-Perna Longa.
Um dia, quando Pato Lino estava na escola, começou a se sentir mal, um minuto se passou e decidiu que iria para enfermaria que ligou para seu pai que era médico.
No caminho para casa ele foi fazendo perguntas:
-O que esta sentindo?
-Dor na cabeça e na barriga.
-Você já foi ao banheiro?
-Já.
-E o resultado?
-Mal, a privada entupiu.
-O pai pôs a mão na cabeça com uma cara desconfiada.
Quando chegaram, o pai falou no ouvido da mãe Passo Grande.
-Ele precisa tomar LEITE.
A mãe começou a ficar pálida, pois na Terra dos Gigantes não existia leite, então disse:
-Você esta louco!?
-Não, tenho certeza do que estou falando.
Depois de a mãe se acalmar falou:
-Vou bolar um plano.
Depois de quatro horas, sete minutos e cinco segundos, a mãe abriu a porta e falou mostrando o mapa.
-Aqui é a terra dos gigantes e daqui a 3 planetas chegaremos na terra dos pequenininhos, lá tem muita vaca e isso quer dizer que tem muito leite.
O pai pegou o filho no colo para partirem imediatamente, e a mãe pegou a caneta e o papel e logo escreveu:

Fomos viajar, assinado família dos Grandes e colou na porta da casa.
Bom, logo depois de ter corrido por 4 horas, eles chegaram na terra vizinha, que era cheia de princesas de vestido de todas as cores, vermelho, azul, roxo e etc.
O pai disse:
-Como nos vamos passar pelas princesas?
E a mãe falou:
-Minha mãe me deu um vestido ontem, eu posso vestí-lo e passar pelas princesas e vocês dois podem ser meu seguranças.
E assim foi feito.
Passo Grande e Perna Longa deram a mão um para o outro e o pai pegou o filho no colo, os três apertaram os olhos e contaram 3-2-1-0 e pularam.
A mãe começou a desfilar olhando para o chão, parecia que ela estava andando numa corda, colocando um pé atrás do outro feito uma modelo.
Todos olharam para ela de boca aberta e tiraram fotos dela em aparelhos super modernos, mais de repente uma princesa começou a falar num super auto falante dizendo:
Eu, Branca de Neve, declaro que você é a mais nova modelo da terra das princesas, fale seu nome e de onde vem.
Ela respondeu surpresa:
-Meu nome é Passo Grande e moro no planeta vizinho, a Terra dos gigantes.
A Branca de Neve falou:
-Eu como rainha, gostaria de fazer um pedido. Quero que nos leve com você ao seu planeta no dia 20 de dezembro para passarmos o Natal, e retornaremos no dia 31 de dezembro.
Passo Grande concordou, mas explicou que antes de retornar para a Terra dos Gigantes teria que ir para a Terra dos Pequeninos em busca do leite.
A Branca de Neve e as outras princesas resolveram ir junto para ajudá-los na busca, e assim entraram na grande bolsa da Passo Grande para prosseguirem a viagem.
Depois de terem pulado para o outro planeta foi que descobriram que lá era a Terra dos personagens.
O Pato Lino ficou tão, tão feliz que pegou 500 personagens no colo e começou a dar beijos em cada um, mais de repente o pai grita:
- NÃÃÃÃÃÃOOO! E o filho assustado colocou todos no chão, e seu o pai explicou calmamente.
-Você está com um tipo de vírus perigoso e se beijar muito alguém a virose também passa para esta pessoa.
Então o Mickey, a Mini, o Pluto, o Pateta , Margarida, o Pato Donald e vários outros que pegaram o vírus tiveram que ir junto para beber leite.
A próxima terra era cheia de corações. Lá era tudo paz e amor, não existia palavrão e ninguém sabia o que era bater ou brigar.
Assim que chegaram, todos receberam os novos visitantes com beijos e abraços, o mais estranho é que ninguém se impressionava com o tamanho deles.
O prefeito da Terra do coração começou a fazer
Perguntas.
-De onde vocês são? Qual é o seu nome?
O Perna Longa respondeu.
-Eu sou o Perna Longa, esse é o meu filho Pato Lino, e essa é minha mulher Passo Grande.
-Puxa, que interessante, eu gostaria de conhecer a sua Terra e levar alguns cientistas daqui para pesquisar a sua terra e ver como funciona o dia a dia de um gigante.
-Claro, será um prazer, mas antes teremos que ir para a Terra dos pequeninos em busca do leite.
Então deram mais um pulo para o próximo planeta, com a certeza que aquela seria a Terra dos pequenininhos.
Realmente era e não dava para ver nada no chão, apenas pequenos borrões pretos.
O pai pediu ao Pato Lino para deitar e ver se dava para localizar o que eram aqueles borrões pretos, depois de ter deitado no chão ele percebeu que eram os pequenininhos então disse:
-Eu estou vendo os pequenininhos mais não vejo nenhum sinal de vaca.
Todos os seus amigos saíram da bolsa e combinaram de procurar pelas vacas e se dividiram em equipes.
As princesas foram para o norte, os personagens para o sul, os apaixonados para o leste e os gigantes para o oeste, e todos deveriam se reencontrar no ponto de partida trazendo pelo menos uma vaca.
As princesas encontram vacas brancas com manchas
cor de rosa, o leite saia com sabor de morango e tinha o poder da beleza, transformando o feio em belo.
Os apaixonado encontraram vacas brancas com manchas vermelhas, o leite tinha sabor de chiclete e dava um efeito apaixonante.
Os personagens encontraram vacas brancas com manchas marrons com sabor de chocolate, e tinham um efeito da alegria, quem bebesse começava a rir.
Os gigantes encontraram as vacas brancas com manchas pretas, o leite era puríssimo e tinha a cura para todas as doenças.
Depois de todos terem chegado no ponto marcado, cada um provou o leite dos outros grupos dando um efeito fascinante.
Era hora de ir para a terra dos gigantes e assim foi feito.
Quando chegaram compartilharam o efeito de todos os leites e depois de terem mostrado as descobertas, o presidente falou que como eles trouxeram a cultura de planetas diferentes, cada um iria ganhar o que mais desejava.
A Passo Grande desejou ser uma grande modelo, Perna Longa desejou ter um hospital para curar doenças de todos, inclusive das pessoas de outros planetas, tendo remédios únicos produzidos pelo leite em seu hospital com a ajuda de outros medico.
O Pato Lino desejou ser dono de uma fazenda para criar vacas de vários tipos e produzir leite.
Esta família se tornou a mais feliz de todas, pois além de terem realizado seus próprios desejos, levaram para a Terra dos gigantes a beleza, o amor, a alegria e a cura para todas as doenças.

Isabella Valle 5-c

Os gatos não têm sete vidas


Sempre gostei de cachorros e achava que os gatos eram bichos indiferentes, apesar de bonitos, mas há dois anos atrás estava procurando uma casa para comprar quase em frente a nossa e dentro da churrasqueira encontramos uma ninhada.

A primeira reação foi de susto. Os bichinhos eram tão pequenos e sobrepostos um aos outros, praticamente sem pelos pareciam ratos.

Nos aproximamos cautelosos, as crianças com uma euforia incontida, misto de medo e curiosidade, observamos de perto e identificamos cinco pequenos gatinhos.

Então veio a dúvida.

Será que estão abandonados? Será que a mãe voltaria? E se fôssemos embora e a casa estivesse fechada e a gata mãe não voltasse?

No fundo eu achava que a gata mãe deveria ter ido se alimentar e voltaria, mas corri até a minha casa para procurar uma caixa onde pudesse colocá-los. Peguei uma bacia, forrei com uma toalha e pegamos os gatinhos com certa aflição. Levamos ao veterinário e compramos uma micro mamadeira e um leite em pó especial.

Cuidamos dele como se fossem nosssos filhotinhos, eu com peso na consciência quando me lembrava que a gata poderia estar desesperada procurando por eles.

Começaram a crescer, passaram a comer a ração, mas o instinto da mamada era constante, pois se aninhavam e chupavam em vão barriguina um do outro produzindo o som da sucção típico da mamada.

Após as primeiras vacinas doamos dois e ficamos com dois machos e uma fêmea.

A Nina é preta e branca, porte pequeno, peluda e medrosa por causa do trauma da castração e de uma surra que tomou de outro gato da vizinhaça.

O Félix é todo preto, com as pontinhas das pata brancas, porte médio e pelo curto. Nos conquistou com o jeito que esticava e abria a patinha, afastando as espuminhas uma da outra, algumas pretas e outras cor de rosa.

O Oliver é o mais bonito, também de porte médio, a pelagem longa preta e branca querendo imitar um angorá, olhos verdes e longos bigodes brancos.

Aprendemos a gostar desses bichinhos, a respeita a individualidade deles e ver que também adoram um carinho, e que aquela fama de animal interesseiro não é verdadeira.

Não os criei tão domésticos, eram eus vira-latas, viviam 90% do tempo fora de casa. Dormiam quase o dia todo sob o sol na varanda da piscina e à noite saiam para a bagunça. Esta parte da fama é verdadeira.

Com a expressão do olhar felino pedem amor ou alimento, roçam na nossa perna arqueando a coluna em sinal de prazer e só miam bem baixinho quando estão com fome ou carência extrema, ronronam de alegria quando são acariciados.

Os gatos de toda a vizinhança vinham aproveitar a fartura de ração que ficava a disposição e se divertiam quando um convidado não grato aparecia, correndo atrás do pobre coitado até o telhado dos vizinhos.

De vez enquando brincavam com libélulas ou baratas mortas, carregando os insetos e os arremeçando de um lado para o outro com suas ageis patinhas.

Escapavam pelas frestas das portas entre abertas da casa para entrar escondidos até que os flagrávmos no sofá ou na cama do quarto de hóspedes.

Nunca tomavam água da cumbuca, só da piscina gelada ou da privada.

Por mais de dois anos forma os nossos bichanos na Alameda Coral, mas não se adaptaram a mudança.

Depois de uma semana a Nina sumiu, o Félix e o Óliver se escondiam dentro de casa, mas ontem de manhã quando fui levar a Isabella para a escola senti ter passado por cima de alguma coisa, parei o carro e quando olhei pelo retrovisor vi o Óliver estrebuchando no meio da rua.

Gritei, chorei, deitei no gramado num pranto deseperado por ter atropelado o meu próprio gato.

Não consegui acudir o bichino na hora, mas dois homens que trabalhavam na obra em frente o colocaram numa caixa e me disseram que não daria mais tempo.

Pedi para a Isa voltar para casa andando pois eu iria ao veterinário, ela correu chocada com o acontecimento e assustada com a minha reação.

Ralmente não deu tempo, ele já estava morto.
Me despedi daquele bichano que foi um bom companheiro a sua maneira felina, acariciando os seus pelos pela última vez. Pedi desculpas por não tê-lo visto e perguntei se não era verdade que gatos têm sete vidas, não se mexeu. Desejei que estivesse com Deus.

Não tive coragem de enterrá-lo e o deixei lá no veterinário.Voltei para casa e o Félix também não estava lá, mas espero que volte logo, porque só agora percebo o quanto os amava.

minha coleçao permanente!

Amigas.... como a Gi postou a nova coleçao... eu aproveito e coloco fotos da minha coleçao permanente!!!

Vejam minhas obras de arte!!!!
Antonio, 3 anos
Sofía, 1,5 aninhos




fotos desse ano.. julio e agosto.

Lançamento da coleção de verão 2010 Giovanna Moretto

Amigas,

seguem algumas fotinhos, amostra do meu trabalho da nova coleção. Quem puder aparecer na festinha dia 19/11 a partir das 14h, será um prazer recebê-las. Venham tomar um picolé com a gente!



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Gentileza gera gentileza

Li esse texto escrito por Eliane Brum num blog, e fiquei com vontade que vocês lessem também. Dei uma cortada, quem quiser ler na íntegra pode entrar no link.

A mais subestimada das virtudes humanas faz muita falta no mundo. Por ELIANE BRUM

Vivo num prédio em que boa parte das pessoas não dá bom dia. Nem mesmo um grunhido. Nada. Fora o resto. Na semana passada, abrimos o porta-malas do carro para retirar as compras do supermercado, bem ao lado do elevador. Duas mulheres puxaram a porta antes que conseguíssemos alcançá-la, para não ter de dividir o elevador. Puxaram a porta, porque se ela tivesse fechado naturalmente teria dado tempo de entrarmos. Dá para acreditar? Claro que dá. Volta e meia cruzo no pátio, indo ou vindo, com gente que vai ou vem – e abaixa rapidamente a cabeça para não cruzar os olhos e, então, ser obrigada a me cumprimentar. Essas pessoas não me conhecem, nem sabem se sou bacana ou chata, logo, não é pessoal. Até o zelador, cujas atribuições incluem dar bom dia, só cumprimenta quando está de bom-humor.

Então, aconteceu.

Aquele vizinho, em especial, me irritava muito, porque ignorava solenemente meus sonoros bom-dia e boa-noite. Ele simplesmente passava por mim – e por todo mundo – numa marcha militar, olhos fixos em alguma movimentação de tropas no campo adversário. Eu voltava da minha aula de pilates, na manhã de quarta-feira, toda alongada e saltitante, quando o vi avançando em passadas largas na minha direção. “Bom dia!”, eu disse. Nada. Grilos. Cri, cri, cri.

Aquilo me irritou muito. Mas muito mesmo. Não pensei. Simplesmente me virei, marchei mais rápido do que ele, postei-me na sua frente e gritei: “Bom dia! É importante dar bom dia para as pessoas!”. Ele ficou totalmente desconcertado. E o resto eu não vi, porque marchei direto para o elevador, num passo tão marcial como o dele.

Foi uma cena totalmente absurda. Eu fui absurda. Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza. E não é nada gentil obrigar alguém a ser gentil. Eu fui o oposto de gentil gritando diante do homem que ele deveria ser gentil.

Mas o episódio serviu para que eu pensasse nessa virtude tão subestimada em nosso mundo. Gentileza parece algo menor, descartável. Em alguns casos, até meio otário. Ou fora de moda. Até para escrever essa coluna me pareceu prosaico demais. Pensei: vão achar que estou sem assunto. Então, decidi correr o risco de soar piegas.

“Gentileza gera gentileza”, o título da coluna, foi tomado emprestado dele, o próprio Gentileza. Se você não o conhece, vá atrás de sua história. Garanto, vai ganhar o dia. Eu mesma, na minha ignorância, só sabia que Gentileza havia sido um poeta das ruas que escrevia pelas pilastras do Rio de Janeiro, um pouco maluco, meio folclórico, um tanto extraordinário. E que um dia foi tema de uma música de Marisa Monte. Era bem mais do que isso, descobri. Gentileza foi um grande homem, com um grande legado e uma grande vida.

Passou a maior parte dela pregando a gentileza como um modo de existir. Depois que morreu, em 1996, velhinho, aos 79 anos, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio cobriu seus escritos nas pilastras do viaduto do Caju com tinta cinza. Não podia ser mais simbólico. O apagamento de Gentileza gerou um movimento de reação chamado “Rio com gentileza”, que resgatou o livro urbano de Gentileza e propõe a gentileza como uma forma de estar no mundo. Comecei a pesquisar sobre o Gentileza na internet e de cara entrei no site do movimento. Depois de uma delícia de passeio por lá, saí com vontade de propor o movimento Brasil com gentileza para o meu vizinho.

É sério. Parece pouco. É muito. Faz uma enorme diferença. Quando somos maltratados em algum lugar, por alguém, isso já envenena o nosso dia. E desencadeia reações desencontradas em cadeia. Por outro lado, às vezes nem percebemos, mas a beleza de outro dia, nosso suspeito bom-humor num dia comum, começou lá atrás, quando alguém teve um gesto gentil, nos acolheu com simpatia, nos tratou bem. Seja o nosso chefe, o motorista do ônibus, o balconista da padaria. Faz bem para a vida ser tratado com gentileza. E um gesto gentil também desencadeia reações similares em cadeia. Gentileza, o profeta, tinha toda a razão quando respondia aos que o chamavam de maluco: “Maluco pra te amar, louco pra te salvar”.

Gosto muito de observar as pessoas, os enredos. Percebo que grandes desencontros são desencadeados por um detalhe muito pequeno. É como aquelas cenas de animação, em que o personagem tira uma pedrinha do lugar e causa uma avalanche. Você já deve ter visto em alguma reunião de empresa ou mesmo dentro de casa ou numa repartição pública. Alguém fala algo sem nenhuma gentileza, que poderia ser dito de um jeito muito mais cuidadoso. O destinatário daquela mensagem recebe como agressão e retruca um tom acima. Daí em diante, já era. Não acaba em nada de bom.

Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.

Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.

Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.

Esta, em parte, é a insubordinação contida na arte de Gentileza, o poeta das ruas. Ele, que nunca aceitou um centavo pela sua gentileza. Dizia: “Cobrou é traidor – o padre tá esmolando, o pastor tá pastando e o papa tá papando, papão do capeta capital”.

O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer. Como o que Gentileza deu à cidade do Rio de Janeiro: não apenas seus escritos, mas seu existir. Sua estética era sua ética, ele as continha ambas no seu viver.

Numa de suas internações porque alguém decidiu que ele era louco, Gentileza passava os dias com os outros internos ao redor, pregando sua gentileza. Até que um psiquiatra teria dito: “Gentileza, você veio aqui para nós te curarmos ou para você nos curar?”. Alguém que, como ele, havia se desfeito de todo o patrimônio para pregar a gentileza só poderia mesmo ser considerado louco nesse mundo. Mas, ainda bem, havia um médico que também era um pouco doido para devolver Gentileza às ruas.

Gentileza não é mesmo algo que temos, é mais algo que somos. E que nos tornamos. Talvez o verdadeiro poder esteja naquele que pode dar sem esperar nada em troca. Como Gentileza.

Assim como inventaram um dia sem carro, acho que podíamos criar um dia com gentileza. Não precisa ser uma campanha de massa, basta uma decisão interna, silenciosa, de cada um. Só para experimentar. Um dia só tentando ser gentil. Engolindo a palavra ríspida, calando a fofoca ainda no esôfago, olhando de verdade para as pessoas, escutando o que o outro tem a dizer, mesmo que não nos pareça tão interessante, sorrindo um pouco mais.

Pequenos gestos. Segurar o elevador, dar oi e dar tchau, não se atravessar na frente de ninguém nem sair correndo para ser o primeiro, ter paciência em vez de se irritar, elogiar um pouco mais, deixar passar o que não foi tão legal, mas também não foi tão grave e, quando a crítica for imprescindível, abusar da delicadeza. Um dia só, mesmo que seja apenas para experimentar algo diferente.

Quem sabe o que pode acontecer?


ELIANE BRUM é repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo). ebrum@edglobo.com.br


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Inteligência Coletiva

Queridas Amigas,

Lendo está matéria na revista Vida Simples, principalmente a carta de Mario de Andrade que me tocou muito, depois de algumas horas vendo fotos nossas desde a infância, achei que a gente tinha que fazer algo pelo nosso grupo de melhores amigas do mundo!!!
O texto é um pouco grande, mais gostoso ler na revista, mas se tiverem um tempinho leiam, pois a idéia é a seguinte:Nós, as melhores amigas do mundo, com vidas e persnoalidades tão diferentes, apesar de nos vermos pouco, sentimos uma pela outra um carinho imenso, respeito, admiração entre muitos outros sentimentos guardados pela época do colégio.
E como poderíamos nos aproximar nessa vida louca e continuarmos produzindo coisas juntas?Pensei em um blog nosso, colocando nossos conhecimentos e nossas artes coletivamente. Acho que isso seria divertido e daria um material muito rico.
Topam?!Em muitas a gente não precisa ficar postando coisas o tempo todo, mas sempre que tivermos vontade.
A Marie de lá de longe estaria novamente aqui do lado.
A Ana acessa menos a internet, mas mesmo assim seria suficiente para nos vermos uma vez por semana através do blog.
E, de vez enquando, um happy regado a caipirinhas naõ seria nada mal.Bom, é isso.
Espero que achem a idéia legal, porque eu achei genial!!!
beijos,
Vanessa

Segue texto publicado na Revista Vida Simples - edição de Novembro 2009

Consciente coletivo Graças à internet, cada vez mais o conhecimento e as artes são produzidos coletivamente. Bem-vindo à cultura da colaboração. Junte-se a nós texto Ronaldo Bressane ilustração Adriana Komura Socializou geral: a criação individual (e, eventualmente, o egoísmo) passou a ser questionada por uma série de artistas, produtores de conteúdo e até comerciantes. São os tempos, como dizem alguns, da “cultura wiki” (de Wikipédia, a enciclopédia online construída por milhões de autores anônimos). Mas será mesmo possível que o conhecimento seja criado coletivamente? Melhor dizendo: quais são as fronteiras entre individualidade e coletivo na solução de um problema? Dentro da nova consciência de socialização do pensamento trazida pelo colaboracionismo na web, é possível sobreviver sendo um individualista extremo? No telecatch entre competição e colaboração, quando é que acontece a passagem de bastão entre a mentalidade das Décadas do Eu (70, 80, 90) para a nova mentalidade colaborativa dos anos 00? E afinal: existe mesmo uma criatividade coletiva? Se sim, ela pressupõe o fim da autoria? Muitas perguntas. Mas façamos uma diferença clara, binária, entre a inteligência individualista, da obra fechada, do ponto fixo, e a colaborativa, da obra aberta, da rede. Sobre esta segunda é fundamental a Obra Aberta de Umberto Eco, revolucionário estudo da teoria da informação lançado, não por acaso, no ano de 1968. Ali o ensaísta italiano propõe uma divisão entre o discurso aberto (pense na internet, de múltiplos emissores e receptores) e no discurso persuasivo (pense na TV, um só emissor, vários receptores). Quando sugeria a “obra aberta”, Eco apenas intuía a formulação de um modelo de produção somente viável graças à nossa aceleração tecnológica. O impacto da internet tornou possível tanto ideias como o open source (do software aberto, como o Linux) quanto a disseminação de redes sociais que sustentam a ideia de uma imaginação colaborativa: nas artes plásticas, na música, na mídia, no comércio. (Ainda falta a política, mas chegaremos lá.) Essa verdadeira inteligência colaborativa foi definida nos termos de hoje pela cientista norte-americana Vera John-Steiner, em Creative Collaboration (“Colaboração criativa”, sem edição brasileira). A autora investiga como as ideias surgem através da observação do método de trabalho de parcerias famosas, como entre os artistas Georges Braque & Pablo Picasso, ou os físicos Albert Einstein & Niels Bohr. Por certo o estudo de Vera seria ainda mais interessante se ela se detivesse no curioso caso dos escritores argentinos Jorge Luis Borges & Adolfo Bioy-Casares, que narravam “sob uma terceira persona”, um tal Bustos Domecq. Ou, em exemplo mais próximo, na intrigante maneira como os jovens escritores brasileiros Vanessa Barbara & Emilio Fraia construíram uma identidade literária comum inventando a quatro mãos o elogiado romance Verão de Chibo. A web abriga diversas iniciativas graças a uma nova “inteligência coletiva O editor Pesquisando inteligência colaborativa na web (onde mais eu arranjaria tanto assunto?), topei com o blog de Gilberto Jr., um esperto designer de interfaces que se dedica a estudar tanto a ciência das redes quanto orientar um grupo de leitura coletiva da... Bíblia. Atendo-se aos aspectos terrenos da web 2.0, Gilberto indica a leitura de um excelente artigo de Kathy Sierra sobre a sabedoria das multidões. Segundo essa crítica professora de programação e criadora de games norteamericana, aproveitar a inteligência coletiva pode trazer muitos benefícios – desde que não seja necessário um consenso prévio entre a comunidade em questão. Assim, agregase de algum modo a sabedoria de cada indivíduo independente (e a interdependência é a senha aqui). Kathy exemplifica: • inteligência coletiva é um monte de gente escrevendo resenhas de livros na Amazon. Burrice das multidões é um monte de gente tentando escrever um romance juntos; • inteligência coletiva são todas as fotos no Flickr, tiradas por indivíduos independentes, e as novas ideias criadas por esse grupo de fotos. Burrice das multidões é esperar que um grupo de pessoas crie e edite uma foto juntas; • inteligência coletiva é pegar ideias de diferentes perspectivas e pessoas. Burrice das multidões é tirar cegamente uma média das ideias de diferentes pessoas e esperar um grande avanço. Segundo Kathy, um link não fica em primeiro lugar no Google depois que todos os usuários da internet chegam a um consenso de que aquele link é o melhor. Mas o Google aproveita a inteligência coletiva contando mais pontos para os links que são citados por muitos indivíduos independentes. Por buscar consenso entre os editores dos artigos, a enciclopédia colaborativa Wikipédia poderia ser um fracasso, mas o trabalho dos administradores (tomando decisões nem sempre geradas pelo consenso) determina a qualidade do conteúdo. Isso significa que, mesmo socializada, a inteligência colaborativa não dispensa um eixo organizativo; em outras palavras, é preciso um editor. A inteligência colaborativa deu origem a uma nova disciplina: a ciência das redes. Um de seus principais divulgadores no país é Augusto Franco, que aliou à dinâmica da educação em rede os pressupostos de otimistas da sociedade da informação, como Pierre Lévy (A Inteligência Coletiva. Por uma Antropologia do Ciberespaço) e Fritjof Capra (A Teia da Vida: uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos). No site Escola de Redes, Franco dá o caminho das pedras: “A ideia é conectar pessoas ou redes de pessoas (nunca instituições hierárquicas) de modo distribuído – o que compreende estrutura (forma de organização distribuída) e dinâmica (modo de regulação pluriárquico). O modo de regulação pluriárquico, compatível com a topologia distribuída, não adota procedimentos e mecanismos que produzam artificialmente escassez, como a votação, o sorteio, o rodízio ou a construção administrada de consenso.” Ou seja, é uma entidade que se auto-organiza a partir de regras fixas. Nem todo mundo, claro, vê com olhos tão felizes a inteligência coletiva. É o caso de Eugênio Trivinho, professor do programa de estudos pós-graduados em comunicação e semiótica da PUC-SP, autor de A Dromocracia Cibercultural. Dromo, do grego, significa velocidade, marca da contemporaneidade. Trivinho é um cético: “Hoje, temos dispositivos que articulam um corpo ao outro, uma casa a outra, uma empresa a outra. Não obstante, isso não aboliu nossa solidão. Nós somos talvez os seres mais solitários e, por isso, precisamos de vínculo”. O grupo Como vimos, a internet tornou possível agregar muitos talentos em esforços gerentes (Wikipédia, Linux). Um bom exemplo é a ação coordenada pela agência LiveAD, um braço do Grupo Box1824, pioneiro no Brasil na investigação de tendências da juventude (entre 18 e 24 anos, daí o nome) e mais quente polo de cool hunters (“caçadores de bacaneza”) do país. Para dar publicidade à minissérie Dom Casmurro, exibida na Rede Globo em 2008 – que buscava falar com um público tradicionalmente desconectado da televisão, modernizando o clássico de Machado de Assis –, a agência criou o projeto Mil Casmurros, uma rede social online de leitura coletiva da obra. O livro foi dividido em mil trechos que foram hospedados num site em que qualquer internauta podia escolher e gravar sua leitura direto da webcam. Atores, escritores e outras figuras da cena brasileira começaram gravando seus trechos, para que estimulassem outros leitores. Em um mês a leitura estava completa: foi uma das primeiras e mais impactantes leituras coletivas de um livro na internet – até mesmo faturou um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes na nova categoria de Public Relations em que qualquer internauta podia escolher e gravar sua leitura direto da webcam. Atores, escritores e outras figuras da cena brasileira começaram gravando seus trechos, para que estimulassem outros leitores. Em um mês a leitura estava completa: foi uma das primeiras e mais impactantes leituras coletivas de um livro na internet – até mesmo faturou um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes na nova categoria de Public Relations O autor Além da forte interação com o público, o modelo colaborativo tem uma faceta ainda mais radical: a dissolução da autoria. É fenômeno já velho nas artes plásticas, mas aos poucos vem transitando naquele “território de ninguém” entre a arte e o comércio, entre a marca pessoal e uma solução específica para um cliente. Nesse terreno batalham os coletivos profissionais de fotógrafos. A massificação da oferta de imagens e a saturação dos meios de difusão tradicionais apresentam aos autores a necessidade de gerar novos modelos de representação, capazes de destacar sua produção entre milhões. Assim, os coletivos atuam tanto como banco de imagens como plataforma comum para furar um mercado fechado, ou como máquina de criação conjunta, gerando interessantes sinergias e fóruns de discussão entre os membros da equipe. No Brasil, grupos como o paulistano Cia de Foto e o carioca Fotonauta fazem seus autores desaparecerem por trás de suas lentes – mais ou menos como se Lennon e Mc- Cartney jamais assinassem canções sob seus nomes, e sim sempre como os Beatles. Voltando à arte, mais poético é o exemplo dos cratemen. São bonecos gigantes, criados a partir de engradados de bebidas, dispostos em diversos lugares da Austrália. Ninguém sabe quem começou a criá-los: parecem ter surgido do nada, no início do século 21. A poesia da intervenção dessa arte urbana não reside nas diversas poses dos cratemen – bonecões pescando, andando de bicicleta, dormindo –, e sim no fato de ninguém reivindicar sua autoria. Seu único objetivo é tirar um sorriso do observador distraído. Ainda na dúvida sobre quem vence a briga pela criação, se o bloco do eu-sozinho ou os conectados?
Fique com um trecho de uma carta de Mário de Andrade, pinçada do blog da Cia de Foto, escrita para Otto Lara Resende, que tinha 22 anos na época. Mário, líder do Modernismo, incitava Otto e colegas (Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos) ao exercício da criação coletiva:
“Queria louvar o grupo que vocês fazem, pela força de cada um, pela diferença de cada um, pelo exercício da amizade que soube escolher sem por isso depender de nenhum estreito ‘espírito de grupo’. Isso é um bem grande, uma felicidade, um exercício digníssimo de vida humana, uma grave modéstia, e um conforto sempre. Como invejo isso em vocês! Talvez tenha sido o que mais me faltou. E os meus companheiros de geração, guardo deles este ressentimento, ainda vinham oitocentistamente tão apegados ao exercício do individualismo, nesta terra sem tradições nem raciais nem culturais, que jamais pudemos viver os benefícios, os confortos, as forças do grupo. Vocês também não possuem tradições nem raciais nem culturais que permitam só por si o exercício do grupo. Mas já têm maior consciência dos coletivos, que o sofrimento deste tempo novo lhes dá. Já não estão enceguecidos pela mania vaidosa do exercício interior dos individualistas. São individualistamente caracterizados, e tão diferentes mesmo uns dos outros, mas nesse exercício exterior do individualismo, que deriva das tendências pessoais e das convicções. O que eu chamo depreciativamente de exercício ‘interior’ do individualismo, interior e menos profundo, era aquele em que vivíamos, nascido apenas da preliminar perniciosa de que era preciso ser diferente, já conseguia duvidar da torre de marfim, mas não passava duma derivação dela, e propunha abertamente o slogan ‘nada de grupo! nada de escolas!’, feito sapos que se quisessem elefantes, gorgolejando ‘eu sou eu!’… Vocês precisam amar o vosso grupo e não será invejar demais se me ponho antes de mais nada amando o grupo de vocês e refazendo nele o que eu nunca pude ter. Não é inveja, é saudade.”
Mário de Andrade escreveu a carta em 25 de setembro de 1944. Se você, como eu, saiu deste artigo com mais perguntas que respostas, fique tranquilo. A inteligência colaborativa apenas começou: e nada indica que ela irá se tornar o paradigma do conhecimento no século 21. Lembre-se que às vanguardas artísticas do século 20 seguiu-se a barbárie nazista; para cada onda de liberdade, uma ressaca de repressão... Caso queira uma iluminaçãozinha que seja, aqui vai uma, apoiada em lugar-comum: nada substitui o talento. Porém, também o talento não substitui o nada que circunda uma inteligência solitária. Isso é tão óbvio como dois e dois são cinco. Certo, Roberto .

Mudança de conceito

Até pouco tempo atrás, achava a internet um meio muito frio que as pessoas encontraram para se comunicar pois não ouvíamos a voz do outro nem olhávamos nos seus olhos.
Mas neste ritmo de trabalho que nos encontramos, nós amigas paulistanas e trabalhadoras, não temos outra alternativa pois cada uma mora num canto da cidade e trabalha 12 horas por dia. Fica difícil termos aquele contato que gostaríamos como nos tempos da escola.
Sendo assim, entendo que vamos conseguir nos comunicar melhor através deste blog pela genial idéia da nossa amiga Vani e estreitar nossos laços de amizade.
Ok ok, mudei meus conceitos e aderi à internet como forma de me comunicar com as pessoas queridas que com a correria do dia a dia, só consigo conversar mesmo através dos emails ou msn.
Quem disse que não podemos mudar de opinião?
Eu mudei !!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sou uma pessoa melhor!

Há dois anos atrás, dias depois do nascimento da minha filha, minha sogra solta a frase que ainda soa na minha cabeça: "Você percebeu que você não é mais a mesma?"
Na mesma hora perguntei: "Mas estou melhor ou pior?"
E a resposta só poderia ser mesmo de sogra: "Há controvérsias."
Depois de doze anos de união, minha sogra já me conhecia o suficiente pra poder responder que há controvérsias. Minha descendência italiana já me fez passar por algumas vergonhas em público, como numa das primeiras vezes em que fui a um restaurante com toda a família do meu marido. Meu cunhado e eu conversávamos sobre uma namoradinha que ele tinha. Num dado momento ele fez uma revelação surpreendente a respeito da relação entre eles. Na hora soltei um sonoro: "NÃO ACREDITO!", que veio acompanhado por um não menos latino tapa na mesa, atitude impensável para um família tão discreta cujos antepassados remontam aos suíços Boechats. O que se seguiu me envergonha até hoje. A mesa, grande e redonda, arrumada à francesa, estava repleta de garfos, garfinhos, facas, faquinhas, taças para água e vinho. Com meu delicado tapa, todos os objetos que estavam sobre a mesa alçaram voo e voltaram novamente, como um nadador de saltos ornamentais se preparando no trampolim. O estrondo chamou a atenção de todas as mesas ao redor. Pra tentar amenizar meu furor, meu marido, que na época era simplesmente meu namorado, segurou com força minha mão sob a dele, o que fez parecer que quem havia batido na mesa tivesse sido ele. Tive mesmo que assumir meu erro quando minha sogra olha com cara de repreensão para o meu então namorado e diz: - Meu filho, o que é isso? Você nunca fez uma coisa dessas..."
Eu não tinha percebido, mas realmente eu não era mais a mesma. Depois que perdi um bebê, fiquei três anos tentando engravidar em vão, até descobrir que o meu problema hormonal não era tão grave assim. Durante esses três anos eu vivi uma tristeza sem igual. Parecia que faltava um pedaço de mim.
E agora aquela parte que tinham me tirado estava ali, toda minha, vivíamos uma perfeita co-dependência. Ela precisava de mim pra sobreviver e eu não podia mais viver sem ela.
E agora, dois anos depois, ainda continuo pensando: será que não sou mesmo mais a mesma?
Crianças aprendem por imitação. Por isso filhos adotivos se parecem tanto com os pais. Por isso um lar violento tende a gerar crianças violentas.
Com um histórico de obesidade desde a infância, há 7 meses resolvi fazer uma gastroplastia que já exterminou 35 dos meus 124 quilos, Queria que minha filha tivesse a oportunidade de não desenvolver a obesidade por imitação a uma mãe compulsiva por comida.
Eu me policio para não roer mais as unhas pois aos dois anos de idade minha filha já coloca a mão na boca imitando o gesto que ela tanto vê a mãe fazer.
Minha filha percebe quando pinto as unhas, quando coloco uma flor no cabelo, quando mudo de óculos, de roupa, de bolsa, de carro.
Me faz fazer exercícios pedindo pra que a levemos pra andar de bicicleta "mamãe e papai". Pede pra ir ao teatro, pra ir ao cinema. Pede para eu fechar o computador e dar atenção a ela, para que eu não me esqueça que todo dia é dia de brincar.
Me faz levar a vida mais a sério quando tenho que levá-la ao hospital fazer uma inalação de madrugada ou ao pediatra tomar vacina, quando lembro que a partir do ano que vem ela já vai pra escola e terei que ganhar mais dinheiro pra poder assumir mais essa dívida.
Me faz ver a vida mais colorida quando me obriga a entrar na piscina de bolinhas ou a pular na cama elástica.
Mas sobretudo me obriga a me orgulhar de ser quem eu sou e me faz lembrar o tempo todo que agora sou obrigada a ser feliz, assim, quem sabe, por imitação, ela realize o meu maior desejo de que ela seja uma pessoa muito muito feliz!

consegui!!!

Ebaaaa, já estou aqui!!! Que modernidade!!
Amei essa idéia.. as melhores amigas do mundo nao podem perder-se!
Vai ser legal esse grande abraço virtual!
amo vocês.... ah... e nao vale rir do meu português!! rsrsrs
beijos
Marie

sábado, 7 de novembro de 2009

Melhores Amigas do Mundo online!

Amigas, é com muito orgulho que inauguro esse espaço. Como nos tempos de colégio, que ele sirva como aquele papo despretensioso na hora do intervalo, ou como os bilhetinhos que trocávamos nas aulas do Valdir, como os recados que a Marie adorava escrever na nossa carteira, quebrando a ponta do lápis logo em seguida. Que traga de volta nossas viagens ao Guarujá, Campos do Jordão, Bariloche, Santos, llhabela... O jantar de sobremesas, as aulas da Escola Panamericana, os TRs, os primeiros beijos na boca, os primeiros namorados, os ficantes, os amantes. Amigo é coisa séria, e eu fico muito feliz em ser amiga de cada uma de vocês. Bem-vindas! 
Aqui vale escrever e postar qualquer coisa que vocês queiram: desenhos, fotos, poemas, contos, vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Que nossos laços fiquem cada vez mais fortes e apertados. Bei gi nhos.